Leandra Félix
Acordei gritando.
O som saiu de mim como se tivesse sido arrancado à força, rasgando minha garganta e quebrando o silêncio do quarto no meio da madrugada. Meu corpo veio junto, num sobressalto violento, como se eu estivesse caindo de um lugar muito alto e tivesse sido puxada de volta no último segundo.
Ou talvez não.
Talvez eu ainda estivesse caindo.
Meu coração batia tão forte que doía. Doía de verdade. A sensação era de que ele tentava escapar do meu peito, como se soubesse antes de mim que algo estava errado. O ar faltava. Inspirei, mas parecia não entrar. Inspirei de novo, e de novo, e ainda assim meus pulmões ardiam, vazios.
— Leandra… amor… ei, olha pra mim.
A voz de Gael veio de longe no começo, abafada, como se eu estivesse debaixo d’água. Senti as mãos dele nos meus ombros, firmes, reais, me ancorando ali. Mesmo assim, o sonho ainda estava grudado em mim como fumaça espessa.
Ou sangue.
Ou ferrugem.
Fechei os olhos com força, tentando expulsar as imagens, mas foi