Leandra Félix
Quando a ligação terminou, eu continuei olhando para a tela apagada do celular como quem encara um espelho que acabou de revelar algo que não sabia sobre si mesmo. Meus dedos permaneceram ali, imóveis, suspensos sobre o aparelho. Era como se uma parte de mim tivesse ficado presa do outro lado da chamada a parte que confessou, que expôs medo, culpa, vulnerabilidade.
Gael ouviu.
Isso ainda era o que mais me surpreendia.
Ele não levantou a voz, não interrompeu, não tentou resolver antes que eu terminasse. Ele só… ouviu. Como se minha fala merecesse espaço. Como se eu merecesse ser escutada.
Engoli a emoção que subiu forte. Doía, mais do que aliviava, perceber o quanto eu sempre temi ser transparente com alguém e como era tão raro confiar sem medo.
Passei o dorso da mão sob os olhos antes que Charlotte percebesse qualquer indício de lágrima. Respirei fundo, ajeitei os cabelos e levantei, tentando organizar minha postura, minha mente, minha respiração. Eu era boa em recolher