Gael Lubianco
Quando atendi a ligação dela, estava sentado dentro do carro, no estacionamento da empresa. Nem tinha entrado ainda. A verdade é que eu passei o dia inteiro impaciente: olhando o relógio a cada dez minutos, ligando mais vezes do que devia, tentando manter a calma e falhando miseravelmente.
A voz dela veio suave, mas carregada de algo que fez meus ombros se enrijecerem imediatamente.
— Aconteceu, sim… mas eu estou pronta pra te contar.
Aquela frase acendeu meus instintos. Desliguei o motor, respirei fundo e encostei a cabeça no banco.
— Então me conta, amor — pedi, mantendo a voz firme, mesmo que por dentro eu já estivesse fervendo.
Ela hesitou. Eu ouvi. O silêncio dela sempre foi eloquente demais, quase físico.
— Você está sozinho? — perguntou.
— Estou. — Apoiei o cotovelo na janela. — Pode falar.
— Hoje… eu encontrei a Rafaelly.
Meu sangue gelou e ferveu ao mesmo tempo. O maxilar se contraiu, as mãos se fecharam no volante.
— O quê?
Ela contou com pausas, com a coragem