Leandra Félix
O cheiro de café recém-passado se espalhava pela cozinha antes mesmo que o sol tivesse força suficiente para iluminar toda a casa. O ambiente estava silencioso, silencioso demais, exceto pelo coração acelerado preso dentro do peito. A mala já estava perto da porta, pronta, imóvel… pesada de um jeito que nada que estivesse dentro justificava. Era o tipo de peso que não vinha das roupas, mas do que eu estava deixando para trás. O estágio não permitiria atrasos, muito menos faltas, e as semanas no Brasil tinham passado como um sopro, intensas, felizes, cheias de vida. A partida parecia injusta.
Bruno e Breno estavam na mesa, cada um segurando sua caneca com as duas mãos, como se temessem que ela escorresse pelos dedos. Os gêmeos raramente ficavam tão quietos, e aquele silêncio dizia mais do que qualquer lágrima conseguiria expressar. Comiam pedacinhos mínimos de pão, mas não realmente; apenas arrastavam o alimento de um lado para o outro, sem fome, sem concentração. Os olh