O avião pousou com aquele solavanco típico que sempre fazia qualquer passageiro reconsiderar a própria vida. A mão pousou automaticamente sobre a barriga, e o ar saiu devagar pelos lábios numa tentativa quase inútil de convencer o corpo de que tudo estava sob controle. Repetir esse pensamento em silêncio era a única coisa que mantinha o colapso emocional longe do assento 23B.
Charlotte, sentada ao lado, deu duas palminhas empolgadas.
— Chegamos, minhas meninas! — disse, inclinando-se para checar se eu ainda respirava. — Tudo bem aí dentro?
— Acho que sim — murmurei, ajeitando o cinto. O vazio deixado pelos meninos ainda pulsava, mas saber que estavam com Gael trazia certo consolo.
Depois do desembarque, a fila da imigração parecia interminável. Charlotte permanecia animada demais para o horário, enquanto minhas pernas já cogitavam pedir aposentadoria antecipada. Assim que passamos pela imigração e pegamos as malas, o ar quente da Flórida envolveu a pele como um abraço úmido — familiar