Desde a noite da fogueira, algo entre eles havia mudado.
Não se falavam todos os dias, mas quando se viam — e se viam, inevitavelmente — tudo ficava mais lento, mais carregado, como se o mundo estivesse conspirando para fazer o tempo durar mais. Os olhares entre eles não eram mais acidentais. Eram buscados. Prolongados. Quase toques. Quase carícias.
Rafael aparecia de tempos em tempos: trazia frutas da fazenda, um vidro de doce de leite feito por uma tia distante, ou apenas parava para pergunta