Peguei minha bolsa, tentando não deixar transparecer minhas mãos tremendo.
— Você poderia ter ligado.
— Você viu a mensagem.
Ele se virou e caminhou em direção ao elevador. Eu o segui. Ninguém nos parou. Ninguém sequer percebeu.
Saímos para a luz do fim da tarde. Um carro preto esperava na calçada, motor ligado. Não era o carro esportivo desta vez — era algo baixo, discreto, anônimo.
George abriu a porta de trás.
— Entre, por favor.
— Para onde estamos indo?
— Vou levar você até o Daniel.
O carro seguiu pela cidade com os vidros tão escuros que eu não conseguia dizer para onde estávamos indo. O barulho do trânsito virou um zumbido distante. Olhei meu celular. A última mensagem ainda me encarava:
“17h. Mala pequena. Clima ameno.”
Depois de vinte minutos, o carro diminuiu a velocidade e virou para uma rampa subterrânea. O ar mudou — frio, metálico, ecoante.
Paramos ao lado de um elevador marcado Acesso Privado.
George saiu primeiro.
— Por aqui.
Eu o segui por um corredor estreito, depoi