Enquanto caminhávamos pela estreita plataforma que se afastava do heliporto, tentei organizar meus pensamentos.
Eu buscava um jeito de começar aquela conversa. Eu nem sabia o que queria, só queria que fosse melhor.
— Eu não entendo você — comecei.
— … Obrigado. — Disse ele após um segundo. — Era exatamente o ângulo que eu estava buscando.
Não era a resposta que eu esperava. Achei que ele se defenderia, como a maioria dos homens.
— Mas… Como você consegue viver assim? Quer dizer… O que exatamente você quer de mim?
— Achei que tinha deixado isso claro no primeiro dia.
— Você deixou. E depois desfez. Isso é… É tudo confuso. Você é confuso. Você me manda em recados nos quais eu não faço ideia do que está acontecendo, lidando com pessoas perigosas e esquisitas, como se eu fosse algum tipo de agente secreta, mas ao mesmo tempo você me enche de presentes, como um celular novo, flores, brincos… E até isso aqui! — Mostrei a taça de champanhe na minha mão.
— E está vazia. Mais um pouco? — Ele o