Nós não corremos.
Daniel segurou meu braço e me guiou pela porta mais próxima com a mesma calma que usara a noite inteira, como se estivéssemos apenas entediados e indo embora mais cedo. Os homens posicionados perto das saídas nos observaram passar. Não nos impediram.
Do lado de fora, o ar da noite parecia cortante e real. O rancho se erguia atrás de nós, luzes quentes e falsas. Em algum lugar lá dentro, a música continuava. Risadas também, provavelmente. A festa não havia notado nossa ausência. Ou havia notado e não se importava. Eu não sabia o quão importante eu era para todo o espetáculo que o Consórcio montava. Nem sequer sabia se eu era a única sob escrutínio ali.
Parecia que era.
O manobrista já estava com nosso carro pronto assim que deixamos o prédio. Porta aberta, cortesia profissional, rostos indecifráveis.
Daniel segurou a porta para mim. Entrei sem olhar para trás. Ele assumiu o volante, fechou a porta e esperou um segundo antes de ligar o motor. Eu sentia a tensão nele, e