Quando alguém se aproximava, eu sustentava o olhar e deixava a pessoa decidir o quão perto ficaria. Quando alguém falava, eu escutava sem assentir. Sorria de forma neutra e esperava. Era difícil não ser eu mesma.
Eu não estava ali para impressionar.
Eu estava ali para ser avaliada.
Daniel não saiu do meu lado em nenhum momento. Aquela era a promessa dele. Estávamos juntos nisso. Era uma parceria. Mas também era um juramento. Estávamos juntos na saúde e na doença. Aquilo era as duas coisas. Era ele dizendo nossos votos em voz alta, para o Consórcio ouvir.
Isso me deu confiança. Ele acreditava em mim. Acreditava em nós.
— Boa noite, Carla.
Ele era magro e careca, como a maioria dos homens ali. Vestia um terno preto, como praticamente todos. Sorriso e ar inocente.
Como se eu fosse acreditar nisso.
— Acho que ainda não nos conhecemos, sr… — Daniel tomou a dianteira.
— Não, não nos conhecemos, Daniel — o velho completou. — Sou Villas-Boas. Então, Carla. Você tem feito bastante para si mesm