Hanna
Dois meses.
Dois meses desde que Ethan embarcou de volta para o Brasil.
Dois meses desde aquele abraço no aeroporto que ainda prende minha respiração quando lembro.
Dois meses que pareceram um estranho paradoxo: rápidos demais para o relógio… lentos demais para o coração.
Oficialmente, eu agora tenho menos de seis meses na filial antes de retornar ao Brasil.
Oficiosamente, estou vivendo um relacionamento a distância que tem me consumido pela saudade, pela ansiedade, pela vontade quase dolorosa de estar perto dele.
E, claro, pelo que mais atrapalha:
O divórcio que Porter decidiu emperrar.
Ele não assinou. Inventou exigências. Pediu revisões absurdas.
Na verdade, está adiando por puro ego ferido — porque não pode aceitar que não tenho mais medo dele.
Mas como ele está no Brasil e eu aqui, pelo menos a minha vida continua. Rotina, trabalho, sábado de faxina, domingo de mercado. Tudo meio cinza, mas funcional.
Só que hoje… algo no ar já estava estranho.
Uma inquietação