Ana
Eu ainda estava sentada na calçada, o rosto enterrado nas mãos, tentando segurar um choro que não acabava nunca. A cena do prédio desmoronando na minha frente parecia rodar em looping na minha cabeça, como se fosse um pesadelo do qual eu não conseguia acordar. Pessoas corriam, bombeiros gritavam ordens, vizinhos choravam agarrados uns aos outros. E eu, com a minha mala pequena e a vida inteira espremida dentro dela, parecia uma figurante perdida no meio do caos.
Respirei fundo, engoli o sol