O choque do primeiro contato visual com Elias Thorne reverberou em Lyra muito depois que a reunião de apresentação dos estagiários terminou. Era mais do que a simples admiração por um homem poderoso; era uma ressonância, um eco de algo profundo e antigo que ela não conseguia decifrar. Enquanto os outros estagiários se dispersavam, animados com as perspectivas de suas novas funções, Lyra permaneceu por um momento, sentindo a energia residual na sala. Era a alcatéia, ela sabia, mas havia algo mais, algo que a puxava para Elias de uma forma que a deixava intrigada e um pouco assustada.
Nos dias que se seguiram, a vida na Thorne Industries se tornou uma rotina de aprendizado intenso. Lyra mergulhou de cabeça nos projetos, absorvendo cada nova informação como uma esponja. Ela era inteligente, dedicada, e sua mente ágil rapidamente se destacou entre os demais. Elias, por sua vez, observava-a de longe. Ele tentava manter a distância, a muralha de frieza que havia construído ao longo dos séculos, mas a presença de Lyra era uma constante perturbação. Cada vez que seus olhares se cruzavam, a pontada em seu peito se intensificava, uma lembrança dolorosa de Maressa e da maldição que o condenava.
Uma tarde, Elias estava em seu escritório, revisando relatórios, quando a Sra. Albright anunciou a chegada de Lyra. “Sr. Thorne, a Srta. Meadow está aqui para discutir o projeto X-7. Ela tem algumas ideias inovadoras.”
Elias hesitou. Ele poderia ter delegado a tarefa a outro diretor, mas algo o impedia. “Deixe-a entrar”, ele disse, sua voz tão controlada quanto sempre. Lyra entrou, seus olhos brilhando com uma mistura de entusiasmo e um leve nervosismo. Ela carregava uma pasta cheia de gráficos e anotações, e a energia que emanava dela era quase palpável.
“Sr. Thorne”, ela começou, sua voz clara e confiante, “eu estive analisando os dados do projeto X-7 e acredito que podemos otimizar o processo de coleta de energia. Minha pesquisa sugere que, se aplicarmos certos princípios de ressonância…”. Ela continuou, explicando suas ideias com uma paixão que Elias raramente via em seus funcionários. Ele a ouvia, não apenas com a mente de um CEO, mas com os sentidos aguçados de um Alfa. Havia algo na forma como ela falava, na cadência de sua voz, que o lembrava de uma melodia esquecida, um eco de um passado distante.
Enquanto Lyra falava, Elias sentiu a maldição se agitar. Não era a dor habitual, mas uma espécie de formigamento, como se as correntes que o prendiam estivessem se afrouxando. Ele se concentrou, tentando ignorar a sensação, mas era inútil. A presença de Lyra era um bálsamo para sua alma amaldiçoada, e isso o aterrorizava. Ele não podia permitir que ela se aproximasse. Ele não podia arriscar que a maldição a tocasse, como havia tocado Maressa.
“Suas ideias são… interessantes, Srta. Meadow”, Elias finalmente disse, sua voz mais áspera do que o pretendido. Lyra parou, um brilho de decepção em seus olhos. “No entanto, o projeto X-7 é complexo. Requer uma abordagem mais… tradicional. Agradeço seu entusiasmo, mas sugiro que se atenha aos protocolos estabelecidos.”
Lyra piscou, surpresa. Ela esperava resistência, mas não um descarte tão abrupto. “Mas, Sr. Thorne, se pudermos explorar novas abordagens, poderíamos…”
“Não há mais nada a discutir, Srta. Meadow”, Elias a interrompeu, sua voz agora fria e final. “Você está dispensada.”
Lyra sentiu um nó na garganta. Ela havia se esforçado tanto, pesquisado tanto. Era a primeira vez que alguém a rejeitava de forma tão categórica. Ela assentiu, pegou sua pasta e saiu do escritório, a energia que antes a preenchia agora diminuída. Elias observou-a sair, o vazio em seu peito retornando com uma intensidade ainda maior. Ele havia se protegido, sim, mas a que custo? A imagem de Maressa, sorrindo, flutuou em sua mente, um lembrete cruel do que ele havia perdido e do que ele estava condenado a nunca mais ter. Ele não podia arriscar que Lyra se tornasse mais uma vítima de sua maldição. Era melhor assim, ele tentou se convencer, enquanto a escuridão familiar o envolvia novamente.