Capitulos 2

O choque do primeiro contato visual com Elias Thorne reverberou em Lyra muito depois que a reunião de apresentação dos estagiários terminou. Era mais do que a simples admiração por um homem poderoso; era uma ressonância, um eco de algo profundo e antigo que ela não conseguia decifrar. Enquanto os outros estagiários se dispersavam, animados com as perspectivas de suas novas funções, Lyra permaneceu por um momento, sentindo a energia residual na sala. Era a alcatéia, ela sabia, mas havia algo mais, algo que a puxava para Elias de uma forma que a deixava intrigada e um pouco assustada.

Nos dias que se seguiram, a vida na Thorne Industries se tornou uma rotina de aprendizado intenso. Lyra mergulhou de cabeça nos projetos, absorvendo cada nova informação como uma esponja. Ela era inteligente, dedicada, e sua mente ágil rapidamente se destacou entre os demais. Elias, por sua vez, observava-a de longe. Ele tentava manter a distância, a muralha de frieza que havia construído ao longo dos séculos, mas a presença de Lyra era uma constante perturbação. Cada vez que seus olhares se cruzavam, a pontada em seu peito se intensificava, uma lembrança dolorosa de Maressa e da maldição que o condenava.

Uma tarde, Elias estava em seu escritório, revisando relatórios, quando a Sra. Albright anunciou a chegada de Lyra. “Sr. Thorne, a Srta. Meadow está aqui para discutir o projeto X-7. Ela tem algumas ideias inovadoras.”

Elias hesitou. Ele poderia ter delegado a tarefa a outro diretor, mas algo o impedia. “Deixe-a entrar”, ele disse, sua voz tão controlada quanto sempre. Lyra entrou, seus olhos brilhando com uma mistura de entusiasmo e um leve nervosismo. Ela carregava uma pasta cheia de gráficos e anotações, e a energia que emanava dela era quase palpável.

“Sr. Thorne”, ela começou, sua voz clara e confiante, “eu estive analisando os dados do projeto X-7 e acredito que podemos otimizar o processo de coleta de energia. Minha pesquisa sugere que, se aplicarmos certos princípios de ressonância…”. Ela continuou, explicando suas ideias com uma paixão que Elias raramente via em seus funcionários. Ele a ouvia, não apenas com a mente de um CEO, mas com os sentidos aguçados de um Alfa. Havia algo na forma como ela falava, na cadência de sua voz, que o lembrava de uma melodia esquecida, um eco de um passado distante.

Enquanto Lyra falava, Elias sentiu a maldição se agitar. Não era a dor habitual, mas uma espécie de formigamento, como se as correntes que o prendiam estivessem se afrouxando. Ele se concentrou, tentando ignorar a sensação, mas era inútil. A presença de Lyra era um bálsamo para sua alma amaldiçoada, e isso o aterrorizava. Ele não podia permitir que ela se aproximasse. Ele não podia arriscar que a maldição a tocasse, como havia tocado Maressa.

“Suas ideias são… interessantes, Srta. Meadow”, Elias finalmente disse, sua voz mais áspera do que o pretendido. Lyra parou, um brilho de decepção em seus olhos. “No entanto, o projeto X-7 é complexo. Requer uma abordagem mais… tradicional. Agradeço seu entusiasmo, mas sugiro que se atenha aos protocolos estabelecidos.”

Lyra piscou, surpresa. Ela esperava resistência, mas não um descarte tão abrupto. “Mas, Sr. Thorne, se pudermos explorar novas abordagens, poderíamos…”

“Não há mais nada a discutir, Srta. Meadow”, Elias a interrompeu, sua voz agora fria e final. “Você está dispensada.”

Lyra sentiu um nó na garganta. Ela havia se esforçado tanto, pesquisado tanto. Era a primeira vez que alguém a rejeitava de forma tão categórica. Ela assentiu, pegou sua pasta e saiu do escritório, a energia que antes a preenchia agora diminuída. Elias observou-a sair, o vazio em seu peito retornando com uma intensidade ainda maior. Ele havia se protegido, sim, mas a que custo? A imagem de Maressa, sorrindo, flutuou em sua mente, um lembrete cruel do que ele havia perdido e do que ele estava condenado a nunca mais ter. Ele não podia arriscar que Lyra se tornasse mais uma vítima de sua maldição. Era melhor assim, ele tentou se convencer, enquanto a escuridão familiar o envolvia novamente.

A rejeição de Elias Thorne ecoou na mente de Lyra por dias. Ela tentou se convencer de que era apenas um CEO arrogante, mas a intensidade da conexão que sentiu, e a dor que a acompanhou quando ele a dispensou, diziam o contrário. Havia algo mais, algo que a puxava para ele de uma forma que ela não conseguia ignorar. Naquela noite, durante seu treinamento de bruxaria com o Coven, a energia da alcatéia parecia mais forte do que nunca, quase pulsando em suas veias.

“Você está distraída, Lyra”, a voz suave de Elara, a matriarca do Coven e sua avó, a tirou de seus pensamentos. Elara, com seus olhos sábios e cabelos prateados, parecia ver através de sua alma. “Há algo te perturbando.”

Lyra suspirou, sentando-se em frente ao caldeirão fumegante. “É o Alfa. Elias Thorne. Eu o conheci na empresa. Há algo nele… uma energia que eu nunca senti antes. E quando ele me olhou, foi como se… como se eu o conhecesse de algum lugar.”

Elara a observou com um brilho nos olhos. “A energia do Alfa é poderosa, minha querida. Mas há mais do que isso, não é? Você sentiu a maldição.”

Lyra arregalou os olhos. “Maldição? Do que você está falando, vovó?”

Elara assentiu, sua expressão séria. “Há muito tempo, uma bruxa vingativa amaldiçoou a linhagem de Elias. Ele foi condenado a nunca encontrar sua Luna, sua companheira predestinada. E se ele a encontrasse, ela seria tirada dele, assim como sua primeira Luna, Maressa. Essa maldição o consome, Lyra. É por isso que ele se fechou para o amor, para a vida. Ele teme que qualquer um que se aproxime demais seja arrastado para a escuridão dele.”

As palavras de Elara atingiram Lyra como um raio. A dor que sentiu, a atração inexplicável, tudo fazia sentido agora. Elias não a havia rejeitado por arrogância, mas por medo. Medo de machucá-la, medo de perdê-la. E a ideia de que ela poderia ser a Luna que ele estava condenado a nunca ter… era avassaladora.

“Mas… e se eu for a Luna dele?”, Lyra perguntou, sua voz quase um sussurro. “E se a maldição puder ser quebrada?”

Elara sorriu, um sorriso enigmático. “A maldição é forte, Lyra. Mas o amor… o amor é a magia mais poderosa de todas. Você tem um poder latente, minha querida, um poder que ainda não compreende totalmente. Talvez você seja a chave para libertar Elias de sua prisão. Mas o caminho será perigoso, e exigirá sacrifícios.”

Naquela noite, Lyra não conseguiu dormir. A revelação sobre a maldição de Elias e a possibilidade de ser sua Luna a consumiam. Ela sentia uma mistura de medo e determinação. Ela não era do tipo que fugia de um desafio, especialmente quando se tratava de algo tão importante. Ela precisava saber mais, precisava entender a maldição, e precisava encontrar uma forma de quebrá-la. Elias Thorne, o CEO lobisomem amaldiçoado, não estava sozinho. E ela, Lyra Meadow, a bruxa em treinamento, estava determinada a provar isso.

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