Capitulo 3

Determinada a entender a maldição e a complexa teia que a ligava a Elias, Lyra começou sua própria pesquisa. Ela vasculhou os antigos tomos do Coven, buscando referências a maldições de linhagem e a formas de quebrá-las. Quanto mais ela lia, mais percebia a profundidade do sofrimento de Elias e a gravidade da situação. A maldição não era apenas sobre a incapacidade de encontrar uma Luna; era sobre a negação do amor, da conexão, da própria essência de um lobisomem.

Enquanto isso, na Thorne Industries, Elias lutava contra a crescente perturbação que Lyra causava em sua vida. Ele tentou se concentrar nos negócios, nas fusões e aquisições, mas a imagem dela, seus olhos curiosos e sua energia vibrante, o assombravam. A pontada em seu peito, antes uma dor familiar, agora era um anseio, uma fome que ele não ousava reconhecer. Ele se pegava observando-a nas reuniões, admirando sua inteligência e sua paixão, e a cada vez, a culpa o corroía. Ele a havia afastado, a havia tratado com frieza, tudo para protegê-la de uma maldição que ele acreditava ser inescapável.

Uma noite, Elias estava em seu escritório, imerso em pensamentos sombrios, quando a Sra. Albright o interrompeu. “Sr. Thorne, a Srta. Meadow solicitou uma reunião particular com o senhor. Ela insiste que é urgente e de natureza confidencial.”

Elias franziu a testa. Confidencial? O que Lyra poderia querer? Ele hesitou por um momento, a batalha interna entre a razão e o anseio se intensificando. “Deixe-a entrar”, ele finalmente disse, sua voz um pouco mais suave do que o habitual.

Lyra entrou, e Elias sentiu a energia dela preencher o escritório, dissipando a escuridão que o envolvia. Ela estava diferente, mais confiante, seus olhos fixos nos dele com uma intensidade que o desarmou. “Sr. Thorne”, ela começou, sua voz firme, “eu sei sobre a maldição.”

O ar no escritório pareceu congelar. Elias a encarou, seus olhos gélidos se estreitando. “Como… como você sabe sobre isso?”

“Minha avó, Elara, é a matriarca do Coven. Ela me contou. E eu senti, Sr. Thorne. Senti a maldição em você, e senti a conexão entre nós. Eu sou sua Luna.” A voz de Lyra era um sussurro, mas carregada de uma convicção inabalável.

Elias se levantou abruptamente, sua cadeira rangendo. “Isso é impossível. A maldição… ela me impede de ter uma Luna. E mesmo que não impedisse, eu não permitiria. Eu não vou arrastar você para a minha escuridão.” Sua voz era um rosnado, uma mistura de dor e desespero.

Lyra não se intimidou. Ela deu um passo à frente, seus olhos fixos nos dele. “Eu não tenho medo da sua escuridão, Elias. E eu não sou Maressa. Eu sou Lyra. E eu acredito que a maldição pode ser quebrada. Eu passei dias pesquisando, e encontrei referências a rituais antigos, a uma forma de desfazer o que foi feito. Mas eu preciso da sua ajuda. Precisamos trabalhar juntos.”

Elias a observou, a mente em turbilhão. Quebrar a maldição? A ideia era tão audaciosa, tão impossível, que ele quase riu. Mas havia algo nos olhos de Lyra, uma determinação que ele reconhecia em si mesmo. E a atração, a conexão inegável, era uma força que ele não podia mais negar. Ele havia se fechado para o amor por tanto tempo, mas a presença de Lyra era como um raio de sol em sua escuridão. Ele não sabia se podia confiar nela, se podia se permitir ter esperança novamente. Mas a ideia de uma vida sem a maldição, uma vida com sua Luna… era uma tentação poderosa demais para resistir.

“O que você propõe, Srta. Meadow?”, Elias perguntou, sua voz ainda rouca, mas com um tom de curiosidade que ele não sentia há séculos. Lyra sorriu, um sorriso que iluminou o escritório e o coração amaldiçoado de Elias. “Eu proponho que quebremos essa maldição, Elias. Juntos.”

A proposta de Lyra pairou no ar, carregada de uma audácia que Elias não via há séculos. Quebrar a maldição. A ideia era tão grandiosa, tão cheia de riscos, que seu lobo interior rosnou em advertência. Mas a determinação nos olhos de Lyra, a pura e inabalável convicção, era um ímã que ele não conseguia resistir. Ele havia se acostumado à escuridão, à solidão imposta pela bruxa vingativa, mas a luz que Lyra trazia era uma promessa tentadora demais.

“Juntos”, Elias repetiu, a palavra soando estranha em sua própria voz, como se estivesse provando um sabor novo e proibido. Lyra assentiu, um sorriso suave se formando em seus lábios. “Juntos. Mas não será fácil, Elias. A maldição é antiga e poderosa. Precisaremos de tempo, pesquisa e, acima de tudo, confiança.”

Nos dias que se seguiram, o escritório de Elias se transformou em um centro de operações para a quebra da maldição. Lyra passava horas lá, mergulhada em tomos antigos e documentos digitalizados, enquanto Elias, apesar de sua agenda lotada, encontrava tempo para se juntar a ela, oferecendo insights e recursos. A dinâmica entre eles era fascinante. Lyra, com sua energia vibrante e sua mente intuitiva, e Elias, com sua lógica afiada e sua experiência milenar. Eles eram opostos que se complementavam, e a cada descoberta, a cada teoria discutida, a conexão entre eles se aprofundava.

Uma noite, enquanto revisavam um pergaminho antigo que falava sobre rituais de purificação, os dedos de Lyra roçaram os de Elias. Uma corrente elétrica percorreu ambos, mais forte do que qualquer outra que já haviam sentido. Elias a encarou, seus olhos azuis fixos nos dela. A maldição, que antes era uma barreira intransponível, parecia vibrar, reagindo à proximidade deles. Lyra sentiu o calor da mão de Elias, a força contida em seus músculos, e uma onda de desejo a atingiu. Ela sabia que era perigoso, que ele era perigoso, mas a atração era inegável.

Elias, por sua vez, sentiu o cheiro de Lyra – uma mistura inebriante de terra, ervas e algo puramente dela – invadir seus sentidos. Seu lobo interior uivou em reconhecimento, um anseio primordial que ele havia suprimido por séculos. Ele se inclinou, seus olhos fixos nos lábios dela, e Lyra fez o mesmo, o espaço entre eles diminuindo a cada respiração. O ar estava denso com a tensão, com a promessa de algo que ambos desejavam e temiam.

Mas antes que seus lábios pudessem se encontrar, um alarme soou, estridente e urgente. A Sra. Albright, com a voz tensa, anunciou pelo interfone: “Sr. Thorne, temos uma violação de segurança no setor de pesquisa e desenvolvimento. Parece que alguém está tentando acessar os arquivos do Projeto X-7.”

Elias se afastou abruptamente, a tensão sexual substituída por uma fúria gelada. O Projeto X-7 era a fachada para suas operações sobrenaturais, e a violação significava que alguém estava muito perto de descobrir seus segredos. Lyra, apesar da frustração do momento interrompido, sentiu a mudança na energia de Elias. O Alfa protetor havia emergido, e ela sabia que, para quebrar a maldição, eles teriam que enfrentar não apenas o passado, mas também os perigos do presente. A jornada estava apenas começando, e ela seria mais perigosa e mais íntima do que qualquer um deles poderia imaginar.

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