Determinada a entender a maldição e a complexa teia que a ligava a Elias, Lyra começou sua própria pesquisa. Ela vasculhou os antigos tomos do Coven, buscando referências a maldições de linhagem e a formas de quebrá-las. Quanto mais ela lia, mais percebia a profundidade do sofrimento de Elias e a gravidade da situação. A maldição não era apenas sobre a incapacidade de encontrar uma Luna; era sobre a negação do amor, da conexão, da própria essência de um lobisomem.
Enquanto isso, na Thorne Industries, Elias lutava contra a crescente perturbação que Lyra causava em sua vida. Ele tentou se concentrar nos negócios, nas fusões e aquisições, mas a imagem dela, seus olhos curiosos e sua energia vibrante, o assombravam. A pontada em seu peito, antes uma dor familiar, agora era um anseio, uma fome que ele não ousava reconhecer. Ele se pegava observando-a nas reuniões, admirando sua inteligência e sua paixão, e a cada vez, a culpa o corroía. Ele a havia afastado, a havia tratado com frieza, tudo para protegê-la de uma maldição que ele acreditava ser inescapável.
Uma noite, Elias estava em seu escritório, imerso em pensamentos sombrios, quando a Sra. Albright o interrompeu. “Sr. Thorne, a Srta. Meadow solicitou uma reunião particular com o senhor. Ela insiste que é urgente e de natureza confidencial.”
Elias franziu a testa. Confidencial? O que Lyra poderia querer? Ele hesitou por um momento, a batalha interna entre a razão e o anseio se intensificando. “Deixe-a entrar”, ele finalmente disse, sua voz um pouco mais suave do que o habitual.
Lyra entrou, e Elias sentiu a energia dela preencher o escritório, dissipando a escuridão que o envolvia. Ela estava diferente, mais confiante, seus olhos fixos nos dele com uma intensidade que o desarmou. “Sr. Thorne”, ela começou, sua voz firme, “eu sei sobre a maldição.”
O ar no escritório pareceu congelar. Elias a encarou, seus olhos gélidos se estreitando. “Como… como você sabe sobre isso?”
“Minha avó, Elara, é a matriarca do Coven. Ela me contou. E eu senti, Sr. Thorne. Senti a maldição em você, e senti a conexão entre nós. Eu sou sua Luna.” A voz de Lyra era um sussurro, mas carregada de uma convicção inabalável.
Elias se levantou abruptamente, sua cadeira rangendo. “Isso é impossível. A maldição… ela me impede de ter uma Luna. E mesmo que não impedisse, eu não permitiria. Eu não vou arrastar você para a minha escuridão.” Sua voz era um rosnado, uma mistura de dor e desespero.
Lyra não se intimidou. Ela deu um passo à frente, seus olhos fixos nos dele. “Eu não tenho medo da sua escuridão, Elias. E eu não sou Maressa. Eu sou Lyra. E eu acredito que a maldição pode ser quebrada. Eu passei dias pesquisando, e encontrei referências a rituais antigos, a uma forma de desfazer o que foi feito. Mas eu preciso da sua ajuda. Precisamos trabalhar juntos.”
Elias a observou, a mente em turbilhão. Quebrar a maldição? A ideia era tão audaciosa, tão impossível, que ele quase riu. Mas havia algo nos olhos de Lyra, uma determinação que ele reconhecia em si mesmo. E a atração, a conexão inegável, era uma força que ele não podia mais negar. Ele havia se fechado para o amor por tanto tempo, mas a presença de Lyra era como um raio de sol em sua escuridão. Ele não sabia se podia confiar nela, se podia se permitir ter esperança novamente. Mas a ideia de uma vida sem a maldição, uma vida com sua Luna… era uma tentação poderosa demais para resistir.
“O que você propõe, Srta. Meadow?”, Elias perguntou, sua voz ainda rouca, mas com um tom de curiosidade que ele não sentia há séculos. Lyra sorriu, um sorriso que iluminou o escritório e o coração amaldiçoado de Elias. “Eu proponho que quebremos essa maldição, Elias. Juntos.”