Entre a Maldição e a Magia: A Luna de Thorne
Entre a Maldição e a Magia: A Luna de Thorne
Por: Daiana
Capitulo 1

O arranha-céu de vidro e aço da Thorne Industries perfurava o céu cinzento da Filadélfia como uma agulha afiada, um monumento à ambição e ao poder. No último andar, atrás de uma mesa de ébano polido que parecia absorver a luz, Elias Thorne observava a cidade se estender abaixo, um tapete cintilante de luzes e sombras. O burburinho da metrópolis, que para a maioria era um sinal de vida, para ele era apenas um ruído distante, um eco vazio em sua existência. Ele era o CEO de um império multinacional, um lobisomem Alfa de uma das mais antigas e poderosas alcatéias da Pensilvânia, e ainda assim, sentia um vazio que nenhuma fortuna ou poder poderia preencher.

Seus olhos, de um azul gélido que raramente traía emoção, varriam o horizonte. A maldição. Era ela que o acompanhava como uma sombra persistente, um fardo invisível que pesava mais do que qualquer responsabilidade corporativa. Ele já havia encontrado sua Luna, Maressa, mas a mesma bruxa vingativa que amaldiçoou sua mãe a tirou dele, condenando-o a nunca mais encontrar outra companheira predestinada. Desde então, Elias vivia em um purgatório de solidão, um vazio que nenhuma fortuna ou poder poderia preencher. A cada dia, a sensação de incompletude se aprofundava, uma ferida aberta que se recusava a cicatrizar. Ele havia se tornado um mestre em esconder sua dor, projetando uma imagem de frieza e implacabilidade que afastava qualquer um que ousasse se aproximar demais.

O som suave da porta de seu escritório se abrindo o trouxe de volta à realidade. Sua assistente, a impecável Sra. Albright, entrou com uma pilha de documentos. “Sr. Thorne, a reunião com os acionistas está marcada para as dez. E a lista de novos estagiários para o programa de desenvolvimento de talentos está pronta para sua revisão.”

Elias assentiu, sem desviar o olhar da janela. “Deixe-os na mesa. Estarei lá em breve.”

A Sra. Albright, acostumada à sua postura distante, colocou os papéis e saiu tão silenciosamente quanto entrou. Elias finalmente se virou, seus olhos pousando na pilha de currículos. Estagiários. Mais rostos novos, mais almas jovens cheias de esperança e ambição. Ele se perguntava se algum deles um dia sentiria o mesmo vazio que ele. Provavelmente não. A maldição era dele, e só dele.

Ele pegou o primeiro currículo, lendo os nomes e qualificações com uma eficiência quase robótica. Nada fora do comum. Até que seus dedos roçaram um nome em particular. Lyra Meadow. Uma pontada, quase imperceptível, atravessou seu peito. Era como um acorde dissonante em uma sinfonia perfeita, um desvio inesperado em sua rotina monótona. Ele franziu a testa. O que era aquilo? Uma anomalia. Ele ignorou a sensação, passando para o próximo nome. Mas a imagem do nome de Lyra Meadow permaneceu em sua mente, uma pequena chama em meio à escuridão de sua existência.

Enquanto Elias se preparava para mais um dia de reuniões e decisões corporativas, Lyra Meadow estava a quilômetros de distância, em um pequeno apartamento repleto de livros e ervas secas. Ela era uma estudante universitária, mas suas noites eram dedicadas a um tipo diferente de aprendizado. Lyra era uma bruxa em treinamento, uma das poucas na alcatéia de Elias que possuía o dom da magia. Seus poderes ainda eram incipientes, mas ela sentia uma energia crescente dentro de si, uma conexão com o mundo invisível que a cercava.

Hoje era um dia importante. Ela havia sido aceita no prestigiado programa de desenvolvimento de talentos da Thorne Industries, uma oportunidade que muitos considerariam um sonho. Para Lyra, era mais do que isso. Era uma chance de aprender, de se aprofundar em um mundo que, embora parecesse mundano, poderia esconder segredos e conhecimentos que a ajudariam em sua jornada mágica. Ela não sabia o que esperar, mas a curiosidade a impulsionava.

Ao chegar ao imponente edifício da Thorne Industries, Lyra sentiu uma onda de energia. Não era a energia da cidade, mas algo mais antigo, mais primal. Era a energia da alcatéia. Ela sabia que Elias Thorne era o Alfa, mas nunca o havia visto pessoalmente. Ele era uma figura lendária, um líder respeitado e temido. A ideia de trabalhar em sua empresa a deixava um pouco nervosa, mas também excitada.

O saguão era um espetáculo de mármore e vidro, com pessoas apressadas em todas as direções. Lyra seguiu as instruções para a sala de reuniões onde os novos estagiários seriam apresentados. A sala já estava cheia, e ela encontrou um lugar vazio perto da janela. O nervosismo aumentou quando a porta principal se abriu e uma figura imponente entrou. Era Elias Thorne. Ele era ainda mais impressionante pessoalmente do que nas fotos que vira online. Seus olhos azuis, que pareciam ver através de tudo, varreram a sala, e por um breve momento, seus olhares se encontraram.

Lyra sentiu um choque, uma corrente elétrica percorrendo seu corpo. Não era apenas a admiração por um líder poderoso, mas algo mais profundo, mais visceral. Era como se uma parte dela, que ela nem sabia que existia, tivesse despertado. Elias, por sua vez, sentiu a mesma pontada que havia sentido ao ver o nome dela no currículo, mas desta vez, era mais forte, mais insistente. Ele tentou ignorar, atribuindo a sensação ao cansaço ou ao estresse. Mas, enquanto ele começava a falar sobre o programa, seus olhos continuavam a voltar para a jovem bruxa sentada perto da janela, uma estranha sensação de familiaridade e anseio crescendo em seu peito amaldiçoado.

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