O quarto de hotel parecia grande demais para Melina.
Não pelo tamanho, mas pelo silêncio. Um silêncio diferente daquele da casa que dividia com Diogo. Ali, o vazio não carregava memórias. Ainda assim, doía.
Ela deixou a mala no canto e sentou-se na beira da cama, sentindo o corpo pesado, como se tivesse corrido quilômetros sem sair do lugar. O beijo ainda queimava em sua mente, insistente, desobediente a qualquer tentativa de racionalização.
Fechou os olhos.
As mãos dele em sua cintura. O jeito como a puxou. A entrega que ela não negara.
— Foi só um beijo — murmurou para si mesma.
Mas não acreditou.
Levantou-se e foi até a janela. A cidade seguia viva lá fora, indiferente ao caos interno que a consumia. Pessoas passavam, carros buzinavam, luzes piscavam. O mundo não havia parado porque ela escolhera ir embora.
E isso a assustava.
Pegou o celular e encarou a tela por longos segundos. O nome de Diogo estava ali, no topo da conversa, como uma tentação silenciosa. Não havia mensagens nova