Melina decidiu que precisava se afastar antes que fosse tarde demais.
Não era fuga. Era sobrevivência. Amar Diogo significava entrar em um território onde ela sempre saíra ferida. Mesmo agora, quando ele parecia disposto a mudar, algo dentro dela gritava cautela.
Naquela manhã, saiu de casa sem avisar. Passou o dia fora caminhando pela cidade, tentando organizar pensamentos que insistiam em se embaralhar. Quando voltou, encontrou Diogo no escritório improvisado da sala, rodeado de papéis e com o celular colado à mão.
— Você sumiu — ele disse.
— Eu precisei respirar — respondeu.
— Sem avisar? — ele perguntou.
— Desde quando eu preciso pedir permissão? — ela rebateu, cansada.
Ele assentiu, aceitando o golpe.
— Eu não quis controlar — disse. — Só me preocupei.
A palavra a desarmou.
— Não confunda — Melina respondeu. — Preocupação não apaga o passado.
— Eu sei — ele disse. — Mas eu estou tentando fazer diferente.
Ela deixou a bolsa sobre a mesa.
— Tentativas não bastam quando o dano já fo