A primeira semana após a mudança silenciosa no acordo revelou algo que nenhum dos dois havia antecipado: dividir o mesmo espaço exigia mais negociação do que qualquer cláusula previa.
Melina percebeu isso logo na manhã de segunda-feira.
Ela entrou na cozinha ainda sonolenta, usando uma camiseta larga e o cabelo preso de qualquer jeito, e encontrou Diogo reorganizando o armário superior. Havia caixas abertas sobre a bancada, cada uma rotulada com precisão excessiva.
— O que você está fazendo? — perguntou.
— Otimizando — respondeu ele, sem se virar. — Havia itens repetidos e disposição ineficiente.
Melina se aproximou, observando os rótulos.
— Esse é o meu café — disse, apontando para um pacote afastado para o fundo.
— Estava ocupando espaço nobre — respondeu ele.
— Café não ocupa espaço nobre — ela rebateu. — Ele é o espaço nobre.
Diogo fechou a caixa.
— Podemos reorganizar juntos.
— Podemos parar de reorganizar — ela respondeu.
Ele a encarou por alguns segundos.
— Isso é provisório.
—