O contrato estava sobre a mesa do escritório, aberto na página marcada por anotações precisas e assinaturas impecáveis. Diogo o observava como se fosse um objeto estranho, algo que reconhecia, mas que já não explicava tudo.
Melina apareceu na porta sem anunciar. Trazia consigo uma xícara de café e uma expressão atenta, como se soubesse que aquele silêncio tinha peso.
— Você costuma encarar papéis quando quer pensar? — perguntou.
— Papéis não respondem — ele disse. — Mas também não complicam.
Ela se aproximou lentamente.
— Pessoas complicam — comentou.
— Sempre — respondeu.
Ela observou o contrato.
— Ainda acredita que isso resolve tudo?
Diogo fechou o documento com cuidado.
— Acredito que resolveu o que precisava — disse. — Mas não resolve mais o que está acontecendo.
Melina sentou-se à frente dele.
— Então diga.
Ele respirou fundo. Não estava acostumado a verbalizar decisões que não podiam ser quantificadas.
— Quero alterar algumas cláusulas — disse.
Ela franziu o cenho.
— Isso costu