Melina descobriu que dividir a casa com Diogo significava disputar até os detalhes mais simples. O problema não era o espaço em si, mas a maneira como ele parecia exigir que tudo se adaptasse ao ritmo dele.
Naquela manhã, ela acordou mais cedo do que o habitual por causa do som repetitivo vindo do andar de baixo. Um bip curto, insistente. Desceu as escadas de pijama, ainda sonolenta, e encontrou Diogo ajustando o sistema de alarme.
— Isso está apitando há dez minutos — disse ela.
— Atualização de segurança — respondeu ele, sem desviar a atenção.
— Você escolheu o horário perfeito — comentou, irônica.
— É quando a casa está mais vulnerável.
— A casa ou você? — ela perguntou.
Ele pausou o sistema e a encarou.
— Você não gosta de previsibilidade — disse.
— Não gosto de ser acordada por ela — respondeu.
Diogo desligou o aparelho.
— Posso ajustar para outro horário.
— Milagre — ela murmurou.
O clima melhorou apenas para ser testado novamente algumas horas depois.
Melina ocupava o banheiro