Capítulo 07

As palavras de Lia caíram como lâminas no meu ouvido. Por um segundo, não consegui respirar. Senti o chão sumir sob os meus pés. Depois, veio a explosão.

“ MALDIÇÃO!”

A mesa à minha frente virou com um golpe seco. Copos, pastas, tudo foi arremessado contra a parede com a força da minha raiva.

“FILHOS DA PUTA! EU VOU MATAR CADA UM DELES!”

Minha mão acertou a prateleira, derrubando livros caros pelo chão. A adrenalina queimava como fogo no sangue, e cada imagem que Lia descreveu me corroía mais. Ella no chão. Machucada. Implorando para ninguém saber.

“ONDE, LIA? ME DIZ ONDE ELA ESTÁ AGORA!”

Ela se encolheu atrás de Miguel que também estava assustado. Ninguém esperava pela minha reação, nem mesmo eu.

LIA: No apartamento… Ethan, ela está machucada demais, ela não quer ver ninguém, ela..

“EU NÃO QUERO SABER O QUE ELA QUER! EU VOU ACABAR COM ESSE INFERNO DE MUNDO SE FOR PRECISO!”

Miguel se aproximou na porta, os olhos arregalados ao ver como estava e tentou me acalmar.

MIGUEL: Ethan! Para! Porra, para com isso!

Mas eu já estava pegando o casaco, a respiração ofegante, o coração acelerado como um tambor de guerra. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, eu nunca reagi desta forma diante de nenhuma situação. Mas Ella. Ella me tirava da minha zona de conforto, não era possível ser frio diante dessa situação.

“Sai da minha frente, Miguel.”

MIGUEL: Pensa, c@r@lho! Se você for assim, vai piorar as coisas!

“Eu vou caçar cada um deles e vou arrancar as vísceras com as minhas mãos! Eu vou matar eles Miguel, sem dó, sem piedade nenhuma!”

Ele tentou me segurar pelo braço. Eu o empurrei com tanta força que ele bateu na estante.

“Eles irão implorar pela morte!”

LIA: Eu não errei em vir aqui… ele é do mal, não é mesmo?”

MIGUEL: É melhor não falar isso perto dele!

LIA: NUNCA! Eu só pareço burra, eu não sou!

Cruzei a cidade como um raio, e em poucos minutos estava no prédio de Ella. O elevador parecia lento demais. A cada andar que passava, meu coração batia mais forte, quase rompendo as costelas. Quando as portas finalmente se abriram, o corredor estreito do prédio de Ella parecia sufocante. Eu não bati na porta… arrombei.

O cheiro de álcool e sangue me atingiu primeiro. Um aperto violento no peito me fez quase perder o fôlego. Ella estava no chão, tentando segurar uma toalha contra a testa, com os olhos marejados.

Pisei com força, atravessando a sala destruída, os móveis virados, cacos de vidro espalhados pelo chão. Cada detalhe era um lembrete de que falhei. Que deixei isso acontecer. Eu poderia de alguma forma ter cuidado dela.

Ela estava sentada no canto, abraçando os joelhos. O rosto coberto por hematomas, o lábio cortado, os braços com marcas roxas. A camisa estava suja de sangue. Quando nossos olhos se encontraram, ela desviou, encolhendo-se ainda mais.

Meu mundo parou.

“Quem fez isso?”

Minha voz saiu baixa, carregada de uma raiva que eu mal conseguia controlar. Ella estava fraca e muito ferida.

ELLA: Vai embora… por favor…

Dei dois passos, ajoelhei-me diante dela. Toquei de leve o queixo dela para olhar para mim, mas ela recuou. Isso doeu mais do que qualquer golpe.

“Quem. Fez. Isso.”

Cada palavra carregava veneno.

LIA: Ethan, para… ela não quer falar. Eles ameaçaram nos matar.

Lia e Miguel chegaram logo em seguida. Respirei fundo, tentando não explodir ali mesmo. Mas dentro de mim só havia fogo.

“Você acha que eu tenho medo desses filhos da puta? Eu vou caçar cada um. Vou fazê-los implorar para morrer. Eu trarei sobre eles o próprio inferno. Não há lugar onde eles possam se esconder.”

Ella levantou o rosto devagar, com dificuldade, e murmurou:

ELLA: Não… não mexe com eles… você vai se machucar também.

Aquilo foi a gota d’água.

“Você acha que eu sou quem, Isabella? Você acha que eu sou fraco como esses vermes? Eu não vou descansar enquanto cada um deles não estiver enterrado. E você precisa de um hospital… Miguel ligue para a equipe médica e prepare tudo.”

Ela tentou falar algo, mas a voz falhou. Quando vi a lágrima escorrendo pelo rosto dela, meu peito se apertou de uma forma que nunca senti antes. Estendi a mão e toquei sua bochecha com cuidado, limpando o rastro da lágrima com o polegar.

ELLA: Eu pensei que você tinha mandado aqueles homens atrás de mim. Que estivesse se vingando pelo carro e pelo copo de água.

MIGUEL: Claro que não, Isabella. Se ele realmente quisesse fazer algo com você, não teria saído do prédio.

“Eu não fiz nada… eu realmente não fiz nada. Deveria ter procurado por você no dia seguinte. Ter protegido você.”

Ela soltou a respiração e soluçou indo às lágrimas.

ELLA: Está doendo muito… eu estou sentindo muita dor.

“Acabou, pequena. Enquanto eu respirar, ninguém mais toca em você. Vamos para o hospital.”

MIGUEL : Ethan… a polícia vai vir. Precisamos sair daqui agora.

Não hesitei. Peguei Ella no colo, ignorando o protesto fraco dela.

ELLA: Não… me larga…

“Cala a boca e confia em mim.”

Passei por Lia, que parecia em choque.

“Você vem junto. Agora.”

Saí do apartamento com Ella nos braços, sentindo a fragilidade do corpo dela contra o meu. Cada hematoma era um lembrete de que alguém tinha que pagar por isso. E eu ia cobrar com juros.

O carro disparou pelas ruas molhadas. Chovia em Manhattan. A cidade parecia um borrão cinza enquanto Miguel pisava no acelerador sem se importar com sinais ou limites. Eu estava no banco de trás com Ella nos braços, sentindo cada tremor fraco no corpo dela.

“Fica comigo, Isabella… você vai ficar bem, ouviu? Eu estou aqui. Eu prometi que ia cuidar de você.”

As pálpebras dela se moveram por um instante. Um gemido escapou dos lábios rachados, quase inaudível. Me abaixei, aproximando meu ouvido.

ELLA: Dói… tudo…

“Eu sei, pequena. Eu sei… mas não desiste.”

O peito dela subia e descia devagar demais. Pressionei os dedos na artéria do pescoço. Pulso fraco. Muito fraco.

“MERDA, MIGUEL, ANDA COM ESSA PORRA!”

MIGUEL: Eu estou voando, porra! Se você gritar mais, eu bato essa merda de carro!

Lia estava ao meu lado, chorando descontrolada, segurando a mão de Ella.

LIA: Aguenta, amiga… aguenta só mais um pouco! O que está acontecendo, porque ela está ficando inconsciente?

“Está sangrando Lia, aqueles malditos a machucaram… ela está tendo uma hemorragia.”

Cada lágrima que caía do rosto de Lia só alimentava minha raiva. Mas eu não podia pensar nisso agora. Só tinha uma coisa importante: manter Ella viva.

Cinco minutos depois, o carro parou com um tranco diante do pronto-socorro. Saltei do carro com ela nos braços e invadi a emergência como um furacão.

“ATENDIMENTO IMEDIATO! AGORA!”

Miguel acenou para a enfermeira que logo nos levou para outra ala. O som do monitor cardíaco me fez gelar. Estava fraco demais.

“NÃO TIRA ELA DA MINHA VISTA!”

Gritei, mas as portas da sala de atendimento se fecharam na minha cara.

Fiquei parado ali, com o peito arfando, a camisa manchada de sangue e suor. As mãos ainda tremiam, Miguel chegou ofegante, segurando meu ombro.

MIGUEL: Ethan… ela está viva. Eles vão dar um jeito. Precisa se acalmar.

Olhei para ele com um olhar que fez até Miguel recuar.

“Eu vou caçar esses filhos da puta, Miguel. Vou arrancar cada unha, vou quebrar cada osso. Eles vão implorar para morrer.”

MIGUEL: Ethan, ouve o que você está dizendo… Você não pode se envolver com esses homens!

“Não me pede calma! Eles tocaram no que é meu. Eles destruíram ela, Miguel. Eu não vou descansar até cada um deles estar no inferno… eles tocaram nela!”

Miguel respirou fundo, mas antes que falasse, a porta se abriu. Uma médica saiu, com expressão séria.

MÉDICA: Preciso falar com os responsáveis.

Dei um passo à frente, sem pensar em nada, me coloquei na sua frente.

“Eu sou o responsável. Me diga tudo o que ela tem. Como ela está, como vai ficar. Não esconda nada!"

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