Helena acordou antes do despertador tocar. O quarto ainda estava mergulhado numa penumbra suave, e por alguns segundos ela ficou imóvel, encarando o teto, tentando identificar o que a havia despertado. Não era barulho. Não era um sonho claro. Era aquela sensação persistente no peito — uma mistura de expectativa e cansaço — como se o coração tivesse passado a noite inteira acordado.
Sentou-se devagar na cama, apoiando os pés no chão frio. Respirou fundo. Hoje eu vou tentar voltar ao normal, prometeu a si mesma. Precisava disso. Precisava da rotina como quem precisa de um chão firme depois de dias andando em areia fofa.
No banho, deixou a água quente cair sobre os ombros, tentando lavar não só o corpo, mas os pensamentos. Pensou em Arthur — e imediatamente se repreendeu. Pensou nas crianças da escola, em Miguel, no sorriso fácil dele, na forma como a presença de Arthur parecia sempre alterar o ar ao redor. Fechou os olhos com força.
— Chega — murmurou.
Vestiu-se com cuidado, escolheu um