Arthur
A casa estava silenciosa demais naquela tarde. Não o silêncio confortável de quem descansa, mas aquele que amplifica pensamentos. Arthur andava de um lado para o outro na sala, segurando o termômetro enquanto observava Miguel dormir no sofá, coberto por um cobertor leve de super-heróis.
O menino respirava melhor agora. O soro havia ajudado, o remédio começava a fazer efeito, mas Arthur ainda não conseguia relaxar por completo. Sentia-se responsável por cada respiração do sobrinho, como se o mundo inteiro estivesse apoiado em seus ombros.
Ajoelhou-se ao lado do sofá e passou a mão pelos cabelos de Miguel, com cuidado.
— Você vai ficar bem, campeão — murmurou, mais para si mesmo do que para o menino.
Quando se levantou, o celular vibrou em cima da bancada da cozinha. O coração dele reagiu antes mesmo de a mente processar.
Helena.
Como ele está agora? A febre baixou?
Arthur fechou os olhos por um instante antes de responder. Não sabia por quê, mas falar com ela tinha se tornado um