Helena
Eu estava sentada no sofá da Laura, com as pernas dobradas embaixo do corpo e uma xícara de chá já fria entre as mãos, quando percebi que não adiantava mais fingir normalidade. Ela me observava em silêncio havia alguns minutos, daquele jeito atento que só quem conhece a gente de verdade consegue sustentar. Laura sempre soube ler meus silêncios melhor do que qualquer palavra.
— Agora fala — ela disse, finalmente. — Porque você chegou aqui com esse olhar distante, como se estivesse em dois