A segunda-feira amanheceu pesada.
Não havia nada de errado com o céu, nem com o clima, nem com a rotina da cidade. Ainda assim, algo parecia fora do lugar, como se o mundo estivesse alguns segundos atrasado em relação ao que deveria ser. Para Helena, o dia começou assim: com o coração acelerado antes mesmo de abrir os olhos.
Ela levantou-se devagar, sentindo o corpo cansado apesar de ter dormido a noite inteira. As imagens da semana anterior ainda estavam vivas demais em sua mente. O bar, o jantar com Lucas, o sorriso dele. E, inevitavelmente, o rosto de Arthur surgia logo depois, como se não aceitasse ser deixado de lado.
— Você precisa parar — murmurou para si mesma diante do espelho.
Mas dizer não era o mesmo que conseguir.
Na escola, Helena tentou se concentrar no que sempre foi seu refúgio: as crianças. Seus risos, suas perguntas sem filtro, a leveza com que viam o mundo. Funcionou por alguns minutos. Depois, o pensamento voltou a escapar.
Ela não sabia explicar por quê, mas sent