O apartamento estava silencioso quando Valentina entrou.
Fechou a porta com cuidado. Não por medo — por hábito. O salto foi deixado ao lado do aparador, o casaco jogado sobre a poltrona. Tudo calculado, tudo no lugar.
Só quando atravessou o corredor e entrou no banheiro é que o corpo dela permitiu a verdade.
A água do chuveiro caiu quente, pesada, batendo contra os azulejos de mármore como se quisesse arrancar algo dela à força.
Valentina apoiou as mãos na parede.
A respiração falho