Emma
O crepúsculo tingia o céu de tons alaranjados, e eu estava sentada na beira da cama, encarando as malas à minha frente. Eram as roupas que Dante se recusara a devolver, um lembrete constante de sua determinação em me manter aqui. Abri uma das malas, quase por impulso, e passei os dedos pelos tecidos — sedas brilhantes, lãs macias, cortes tão perfeitos que pareciam pertencer a outra vida. Um vestido azul-escuro chamou minha atenção, seu tecido leve refletindo a luz como um céu estrelado. Por um instante, imaginei-me usá-lo, o caimento elegante contrastando com a realidade da minha prisão. Mas o pensamento me encheu de vergonha. Aceitar aquelas roupas seria como aceitar as correntes que Dante colocara em mim, e eu não podia ceder.
Fechei a mala com um suspiro, o som ecoando no silêncio do quarto. Minha mente voltou ao almoço, à forma como Dante me encarava, os olhos negros carregados de uma intensidade que fazia meu coração acelerar e meu estômago revirar. Ele deixara claro minhas