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CAPÍTULO 5 — O BILIONÁRIO E A DESCONHECIDA — Papai!

Enzo correu com todas as forças que ainda tinha.

Lorenzo abriu os braços.

No segundo seguinte, ajoelhou-se no chão molhado e abraçou o filho com tanta força que parecia querer protegê-lo do mundo inteiro.

O menino começou a chorar.

Um choro preso.

Silencioso.

Daqueles que nascem do medo.

Lorenzo fechou os olhos.

As lágrimas misturaram-se à chuva.

Não se importava com os seguranças.

Com os carros.

Com as pessoas que observavam a cena.

Naquele momento, só existia seu filho.

— Você me matou de preocupação, campeão... — disse com a voz embargada.

Enzo apertou ainda mais o abraço.

— Desculpa, papai...

— Não... não pede desculpas.

O importante é que você está bem.

Lorenzo segurou o rosto do menino entre as mãos.

Observou cada detalhe.

O cabelo molhado.

O joelho machucado.

A barra improvisada da blusa que servia de curativo.

Franziu a testa.

— Quem fez isso?

Enzo apontou para Helena.

— Foi ela...

Lorenzo levantou os olhos.

Pela primeira vez, encarou a jovem que estava alguns metros à frente.

Ela permanecia completamente encharcada.

Os cabelos castanhos grudavam no rosto.

A maquiagem já não existia.

Os olhos estavam vermelhos de tanto chorar.

Mesmo assim...

Havia uma serenidade impressionante em sua expressão.

Ela parecia exausta.

Como se também tivesse travado uma batalha naquela noite.

Lorenzo aproximou-se.

Os dois ficaram frente a frente.

Por alguns segundos...

Nenhum deles disse uma palavra.

Foi Helena quem quebrou o silêncio.

— Acho que ele machucou apenas o joelho.

Não parece ser nada grave.

Lorenzo abaixou o olhar para o curativo improvisado.

Depois voltou a encará-la.

— Você salvou a vida do meu filho.

Helena sorriu discretamente.

— Qualquer pessoa faria o mesmo.

Lorenzo respondeu sem desviar os olhos.

— Não.

Infelizmente... nem todo mundo faria.

Ela ficou sem saber o que responder.

Havia algo naquele homem.

Uma presença forte.

Um olhar intenso.

Mas também uma tristeza silenciosa.

Como se carregasse um peso impossível de dividir.

Lorenzo estendeu a mão.

— Meu nome é Lorenzo Castellani.

Helena apertou sua mão.

— Helena Monteiro.

No instante em que suas mãos se tocaram...

Algo diferente aconteceu.

Nenhum dos dois sabia explicar.

Foi apenas um segundo.

Mas ambos sentiram.

Uma sensação estranha.

Quase como se o destino tivesse acabado de unir dois caminhos que sempre estiveram destinados a se encontrar.

Os dois soltaram as mãos ao mesmo tempo.

Lorenzo respirou fundo.

— Eu gostaria de agradecer.

De verdade.

Você salvou a pessoa mais importante da minha vida.

Helena abaixou os olhos.

— Fico feliz por ele estar bem.

Os seguranças se aproximaram.

Um deles entregou um casaco ao patrão.

Lorenzo, porém, fez outra coisa.

Sem dizer uma palavra, colocou o casaco delicadamente sobre os ombros de Helena.

Ela se assustou.

— Não precisa...

— Você está tremendo de frio.

Ela tentou devolver.

— Eu estou bem.

Ele sorriu pela primeira vez naquela noite.

Era um sorriso discreto.

Elegante.

Mas sincero.

— Isso foi claramente uma mentira.

Helena não conseguiu evitar um pequeno sorriso.

Talvez o primeiro sorriso verdadeiro desde que sua vida havia desmoronado.

Enquanto isso...

Dentro de um dos carros, Sabrina observava tudo através do vidro.

Ela havia insistido para acompanhar Lorenzo nas buscas.

Quando viu aquela mulher desconhecida usando o casaco dele...

Seu rosto endureceu.

— Quem é ela?

Perguntou para si mesma.

Depois observou Enzo.

O menino sorria para Helena.

Um sorriso que fazia muito tempo que Sabrina não via.

Ela apertou a bolsa com força.

— Não...

Ela murmurou.

— Você não vai estragar meus planos.

Se aquele garoto criasse afeto por outra mulher...

Tudo poderia mudar.

E Sabrina não permitiria isso.

Nunca.

Na calçada...

Enzo segurava a mão de Helena.

— Você vai embora?

Ela olhou para o pequeno.

O coração apertou.

— Acho que sim.

Ele fez uma carinha triste.

— Eu queria que você fosse lá em casa.

Lorenzo sorriu.

— Enzo...

O menino insistiu.

— Ela salvou minha vida.

Você sempre fala que devemos agradecer.

Lorenzo ficou alguns segundos em silêncio.

Depois voltou-se para Helena.

— Meu filho tem razão.

Gostaria de convidá-la para jantar conosco amanhã.

Será apenas uma forma de agradecer.

Helena ficou completamente sem jeito.

— Não precisa.

Foi só...

Ela olhou para Enzo.

"...o que qualquer pessoa faria."

Lorenzo balançou a cabeça.

— Continua diminuindo o que fez.

Mas eu não consigo.

Se você não estivesse aqui...

Nem terminou a frase.

Não precisava.

Todos entenderam.

Helena respirou fundo.

Sua vontade era recusar.

Sua cabeça ainda estava um caos.

Precisava voltar para casa.

Precisava conversar com a mãe.

Precisava reorganizar a própria vida.

Mas então olhou para Enzo.

O menino fazia a mesma expressão que uma criança faz ao esperar um presente.

Os olhos brilhavam de esperança.

Era impossível não se comover.

Ela sorriu.

— Tudo bem.

Aceito o jantar.

Enzo deu um pequeno pulinho de felicidade.

— Oba!

Lorenzo estendeu um cartão elegante.

— Este é meu número particular.

Amanhã meu motorista pode buscá-la, se preferir.

Helena pegou o cartão.

Quando leu o nome impresso em letras douradas, seus olhos se arregalaram.

LORENZO CASTELLANI

Presidente do Grupo Castellani.

Ela conhecia aquele nome.

Quem não conhecia?

O Grupo Castellani era um dos maiores conglomerados empresariais do país.

Revistas econômicas estampavam frequentemente o rosto de Lorenzo como um dos empresários mais influentes e ricos do Brasil.

Naquele instante, Helena compreendeu que o homem à sua frente não era apenas um pai desesperado.

Era um dos bilionários mais poderosos do país.

Mas, curiosamente...

O que mais havia chamado sua atenção não fora sua fortuna.

E sim a forma como ele abraçava o filho.

Porque riqueza alguma era capaz de fingir aquele tipo de amor.

Enquanto isso, do outro lado da rua, escondida dentro do carro escuro, Sabrina observava cada movimento.

Seus olhos pararam sobre o cartão nas mãos de Helena.

Depois, sobre o sorriso de Lorenzo.

Ela fechou a expressão.

Pela primeira vez desde que começara seu relacionamento com o bilionário...

Sentiu medo.

Um medo silencioso.

Instintivo.

Como se aquela simples desconhecida tivesse acabado de se tornar a maior ameaça aos seus planos.

E Sabrina jamais deixava uma ameaça permanecer em seu caminho por muito tempo...

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