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CAPÍTULO 9 — A MANSÃO DOS CASTELLANI

Helena terminou de prender os cabelos diante do espelho.

Respirou profundamente.

O vestido azul-marinho escolhido por Clara caía perfeitamente em seu corpo.

Era elegante, discreto e delicado.

Uma maquiagem leve realçava seus olhos castanhos.

Nos pés, um simples salto nude.

Ela olhou para seu reflexo.

Pela primeira vez desde a traição, voltou a enxergar a mulher forte que sempre existira dentro dela.

Clara apareceu na porta do quarto.

Seus olhos se encheram de orgulho.

— Você está linda.

Helena sorriu timidamente.

— Está muito simples?

Clara caminhou até ela e ajeitou delicadamente uma mecha de cabelo atrás de sua orelha.

— Você não precisa competir com ninguém.

Quem tem luz própria nunca precisa brilhar mais do que os outros.

Helena abraçou a mãe.

— Obrigada... por tudo.

Clara beijou sua testa.

— Apenas seja você.

É suficiente.

Às seis e meia da tarde, um elegante carro preto parou em frente ao prédio.

O motorista desceu imediatamente.

Vestia um impecável terno preto.

Ao chegar à portaria, perguntou educadamente:

— Senhorita Helena Monteiro?

Ela confirmou.

— Sim.

O homem sorriu.

— Sou Eduardo, motorista da família Castellani.

O senhor Lorenzo pediu que eu a acompanhasse até a mansão.

Helena agradeceu.

Despediu-se da mãe com um abraço apertado.

— Me manda mensagem quando chegar.

— Pode deixar.

Ao entrar no carro, sentiu um leve frio na barriga.

Tudo aquilo parecia um sonho.

Ou talvez o começo de uma nova vida.

Durante o trajeto...

Helena observava a cidade pela janela.

O trânsito seguia intenso.

As luzes dos prédios começavam a iluminar a noite.

Eduardo dirigia com tranquilidade.

Depois de alguns minutos, comentou:

— O pequeno Enzo passou o dia inteiro perguntando que horas a senhorita chegaria.

Helena sorriu involuntariamente.

— Sério?

— Sim.

Nunca o vi tão animado.

Ela abaixou os olhos.

Aquele menino já ocupava um lugar especial em seu coração.

Enquanto isso...

Na Mansão Castellani...

Enzo olhava pela enorme janela da sala.

A cada carro que passava, corria para a porta.

— Ainda não é ela...

Sofia, a governanta da casa, sorriu.

Era uma senhora de aproximadamente sessenta anos, conhecida por todos pelo enorme coração que possuía.

Ela cuidava de Enzo desde o nascimento.

— Tenha um pouquinho de paciência, meu príncipe.

Ela já vai chegar.

Enzo suspirou.

— Parece que o relógio está andando devagar.

Sofia riu.

— Quando estamos ansiosos, ele realmente anda.

Bem devagar.

No escritório...

Miguel observava Lorenzo colocar o relógio.

— Você está nervoso.

Lorenzo levantou uma sobrancelha.

— Eu?

— Sim.

Você já trocou de gravata três vezes.

Lorenzo olhou para o irmão.

— Não exagere.

Miguel começou a rir.

— Conheço você desde que nasceu.

Só fica assim quando alguma coisa realmente importa.

Lorenzo pegou o paletó.

— Ela salvou meu filho.

É claro que esse jantar importa.

Miguel sorriu de lado.

— Claro...

É só por isso.

Lorenzo ignorou a provocação.

Mas, no fundo...

Nem ele conseguia explicar por que estava inquieto.

Na entrada da propriedade...

Os enormes portões de ferro começaram a se abrir lentamente.

O carro entrou.

Helena arregalou discretamente os olhos.

A estrada cercada por jardins impecáveis parecia não ter fim.

Fontes iluminadas.

Esculturas.

Árvores centenárias.

Tudo transmitia elegância.

Alguns minutos depois...

A mansão surgiu diante dela.

Era ainda mais impressionante do que qualquer fotografia de revista.

Helena respirou fundo.

— Meu Deus...

Eduardo sorriu pelo retrovisor.

— Bem-vinda à Mansão Castellani.

O carro parou diante da escadaria principal.

Antes mesmo que o motorista abrisse a porta...

Ela se abriu por dentro.

Enzo saiu correndo.

— Helena!

Ela mal teve tempo de descer.

O menino já a abraçava com toda a força.

Helena sorriu emocionada.

— Oi, campeão.

Sentiu o pequeno beijar sua bochecha.

— Você voltou...

Ela acariciou seus cabelos.

— Eu prometi, não prometi?

— Prometeu.

E cumpriu.

Lorenzo observava a cena da porta principal.

Um sorriso discreto surgiu em seus lábios.

Havia muito tempo que não via o filho tão feliz.

Helena finalmente levantou os olhos.

Encontrou Lorenzo parado na escadaria.

Ele vestia um elegante terno azul-escuro.

Sem gravata.

A camisa branca tinha os primeiros botões abertos, dando um ar sofisticado e ao mesmo tempo descontraído.

Por um instante...

Os dois apenas se olharam.

Helena sentiu o coração acelerar.

Lorenzo também percebeu algo diferente.

Ela estava linda.

Mas não era apenas sua beleza.

Era a delicadeza.

O sorriso.

A forma como segurava a mão de Enzo.

Aquela imagem parecia... familiar.

Como se pertencesse àquela casa.

Ele afastou imediatamente aquele pensamento.

Desceu os degraus.

Parou diante dela.

— Boa noite, Helena.

Ela sorriu.

— Boa noite, senhor Castellani.

Ele fez uma expressão divertida.

— Depois de tudo o que aconteceu...

Acho que "Lorenzo" é suficiente.

Ela riu.

— Tudo bem...

Lorenzo.

Ele sorriu.

— Bem melhor.

Do alto da escadaria...

Escondida atrás de uma coluna...

Sabrina observava tudo.

Viu Lorenzo sorrir.

Viu Enzo segurando a mão de Helena.

Viu a naturalidade com que conversavam.

Seu sangue ferveu.

Ela jamais conseguira conquistar aquele tipo de carinho espontâneo do menino.

Nem aquele sorriso tão leve de Lorenzo.

Apertou a taça de champanhe com tanta força que quase a deixou cair.

— Aproveite esta noite...

Ela murmurou.

— Porque será a última em que vai se sentir bem-vinda nesta casa.

Sem perceber que estava sendo observada, Helena entrou na mansão ao lado de Enzo.

O menino segurava sua mão com firmeza.

Como se tivesse medo de que ela desaparecesse novamente.

Enquanto caminhavam pelo enorme hall de entrada, Helena admirava cada detalhe.

Mas, estranhamente...

O luxo não era o que mais chamava sua atenção.

Era o silêncio.

Apesar de toda aquela grandiosidade, aquela casa parecia vazia.

Como se faltasse algo.

Ou alguém.

E, pela primeira vez em muitos anos...

Lorenzo teve exatamente a mesma sensação.

Ao olhar Helena caminhando ao lado de Enzo, uma pergunta surgiu em seu coração.

Seria possível que uma desconhecida pudesse devolver vida a uma casa que há tanto tempo conhecia apenas a saudade?

Sem saber, do outro lado do corredor, Sabrina observava a cena com um sorriso frio.

Seu plano já estava em andamento.

E antes que aquela noite terminasse...

Helena receberia o primeiro golpe de uma guerra que nem imaginava ter começado.

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