Mundo de ficçãoIniciar sessãoEles tinham tudo para se destruir... até que um contrato os amarrou ao mesmo destino. Helena Albuquerque é a definição da bruta de coração mole. Criada na lida da roça, ela sabe manejar o gado e enfrentar qualquer peão, mas usa essa armadura para esconder as dores de um luto recente. Quando seu pai morre repentinamente, Helena se vê diante do maior pesadelo de sua vida: a fazenda da família está atolada em uma dívida milionária e prestes a ir a leilão. Otávio Barreto é o impiedoso herdeiro da estância vizinha. Um fazendeiro raiz, de poucas palavras, olhar intimidador e mãos calejadas, que comanda suas terras com punho de ferro. Ele tem o poder de salvar o legado dos Albuquerque, mas não fará isso de graça. Otávio tem uma condição inegociável para quitar a dívida: ele quer Helena como sua esposa. Para Helena, a proposta é uma humilhação inaceitável, um ato de pura ganância para unificar as terras da região. Mas, sem saída, ela aceita o sacrifício. Ela entra na igreja jurando odiá-lo por cada dia de suas vidas, prometendo que ele comprou apenas o seu sobrenome, mas nunca o seu respeito. O que ela não imagina é que, por trás da marra desse cowboy implacável, existe um segredo guardado a sete chaves: Otávio a deseja em silêncio há anos, e o casamento forçado foi a única saída desesperada que ele encontrou para protegê-la de uma ameaça ainda maior. Agora, trancados sob o mesmo teto, duas forças da natureza vão colidir. Entre brigas explosivas no curral, provocações à luz de lampião e uma tensão sexual impossível de conter, eles vão descobrir que o orgulho pode até ditar as regras... mas a paixão bruta é quem manda nesse chão.
Ler maisO relógio marcava cinco da manhã quando abri os olhos, como acontece todos os dias — o corpo já acostumado a acordar antes do sol, porque quem cuida de terra e de gado não pode dormir até tarde. O quarto ainda estava mergulhado na penumbra, silencioso, e virei o rosto para o lado onde ela devia estar. A cama de Helena estava vazia.Sentei-me devagar, franziu a testa. Não era surpresa que ela tivesse acordado cedo — já sabia que ela não era de ficar parada, nem de se esconder dentro de casa. Mas também sabia que essa mania de querer participar de tudo, de achar que sabe tudo, ia dar confusão mais cedo ou mais tarde. Levantei, vesti a calça e a camisa de brim, calcei as botas e desci os degraus largos da escada, com passos firmes, sem pressa, mas já sabendo exatamente onde iria encontrá-la.Da entrada da casa, já dava para ver o movimento no curral. E lá estava ela: vestida com aquele vestido simples que parecia mais um uniforme de trabalho, cabelo preso para trás, as mesmas botas que u
O carro entrou pela porteira da Estância Barreto e foi como se eu tivesse cruzado uma fronteira para outro mundo. Diferente da nossa fazenda, onde a rotina tinha o ritmo devagar da terra, aqui tudo era movimento, ordem, força. Logo na entrada, vi grupos de peões em uniformes iguais, montando ou levando gado, conversando alto, cada um sabendo exatamente o que fazer. Mais adiante, máquinas enormes - tratores, colheitadeiras, caminhões com caçamba alta - trabalhavam nas plantações, barulhentas, imponentes, provando por que esse lugar era chamado de gigante. Cavalos de raça, pelagem brilhante, eram levados para os pastos por tratadores que andavam com postura de quem cuida de ouro. Tudo ali tinha um porquê, tudo era planejado, calculado, construído para crescer sem parar. E eu entendi, naquele momento, por que Otávio Barreto era quem era: ele não tinha apenas herdado terra, ele tinha transformado tudo em um império porque não aceitava o que era "mais ou menos", não aceitava limites, não
O dia amanheceu cinza, com uma brisa que trazia o cheiro de terra molhada e de folhas secas, como se até o céu soubesse que não havia nada de alegre para celebrar ali. Eu acordei antes do sol nascer, como sempre fazia, mas dessa vez não era para conferir o gado ou ver se a cerca do pasto estava inteira. Era porque, daqui a algumas horas, eu iria assinar a minha própria sentença: casar com Otávio Barreto, o homem que durante toda a minha vida foi o nome que a minha família citava como rival, como quem queria tomar o que era nosso.Sentei na beira da cama e olhei para o canto do quarto, onde minha mãe guardara, anos atrás, um vestido de noiva branco, de renda e caimento longo, que deveria ser usado por mim num dia de amor, de escolha, de felicidade. Levantei devagar, abri a caixa de madeira, e passei a mão por aquele tecido macio. Por um segundo, senti uma dor no peito - a dor de saber que o meu casamento não seria nada daquilo que minha mãe sonhou para mim. Fechei a tampa com força, co
O cheiro de terra úmida e flores de maracujá ainda pairava no ar, como se o pai dela ainda estivesse ali, caminhando devagar pelos corredores da sede da fazenda, com o chapéu de aba larga na cabeça e as mãos sempre sujas de barro. Helena Albuquerque Barreto - ou apenas Helena Albuquerque, como ela ainda se chamava no coração - estava de pé na varanda de madeira, os cotovelos apoiados no parapeito gasto pelo tempo, os olhos fixos na imensidão verde que sempre foi o seu mundo. A Fazenda Albuquerque era mais do que terra, gado e plantações: era o legado de gerações, o lugar onde ela aprendera a montar a cavalo antes de saber ler, onde aprendera a tratar de feridas em animais e a defender cada palmo de chão como se fosse parte do próprio corpo.Mas naquela tarde, o verde parecia cinza. Há três dias, o pai, Seu Antônio, caíra morto no meio da pastagem, vítima de um ataque cardíaco repentino. O luto pesava no peito dela como uma pedra, mas nos últimos meses, ela já vinha sentindo um aperto
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