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CAPÍTULO 10 — O JANTAR DOS CASTELLANI

Helena permaneceu imóvel por alguns segundos diante da imponente fachada da Mansão Castellani.

A construção, iluminada por refletores discretos, parecia um palácio moderno. Colunas de mármore, jardins impecavelmente desenhados, espelhos d'água e esculturas transformavam a propriedade em uma verdadeira obra de arte.

Eduardo abriu a porta do carro.

— Bem-vinda, senhorita Helena.

Ela respirou fundo antes de descer.

Naquele instante, percebeu que a mansão estava muito mais movimentada do que imaginava.

Carros de luxo chegavam um após o outro.

Motoristas uniformizados abriam as portas para empresários, autoridades, artistas e representantes de grandes empresas.

Homens de terno e mulheres em vestidos de alta-costura caminhavam pelo tapete de pedra portuguesa em direção à entrada principal.

Helena olhou para Eduardo, surpresa.

— Achei que fosse apenas um jantar...

O motorista sorriu.

— É um jantar beneficente da Fundação Castellani.

Todos os anos o senhor Lorenzo reúne empresários para arrecadar recursos destinados a hospitais infantis.

Helena ficou ainda mais impressionada.

Enquanto muitos conheciam Lorenzo apenas como um dos empresários mais ricos do país, havia um lado dele que raramente aparecia nos jornais.

No hall principal, funcionários organizavam os últimos detalhes.

Um maître conferia a disposição das mesas.

Seguranças discretos observavam toda a movimentação.

A decoração era elegante, sem exageros.

Flores brancas, velas e música instrumental criavam um ambiente sofisticado.

Sofia aproximou-se de Helena.

— Você está deslumbrante.

— Obrigada.

Sofia sorriu.

— Não fique nervosa. Todos aqui são apenas pessoas.

Helena deu uma pequena risada.

— Pessoas que provavelmente movimentam mais dinheiro em um dia do que eu vou ganhar em uma vida inteira.

Sofia respondeu com serenidade.

— Dinheiro compra muitas coisas.

Mas nunca comprou caráter.

Guarde isso.

Do lado de fora...

Um helicóptero sobrevoou lentamente a propriedade.

Os convidados voltaram os olhos para o céu.

Miguel sorriu.

— Ele conseguiu chegar.

A aeronave pousou no heliponto localizado atrás da mansão.

Minutos depois, Lorenzo surgiu caminhando em direção ao jardim.

Vestia um elegante smoking preto sob medida.

Sua postura firme e seu olhar seguro chamavam atenção por onde passava.

À medida que avançava, diversos convidados o cumprimentavam.

— Senhor Castellani.

— Boa noite, doutor Lorenzo.

— Parabéns pela aquisição da Biotech Medical.

— Impressionante o acordo fechado em Londres.

Lorenzo respondia com educação, mas sem prolongar as conversas.

Era evidente que sua presença impunha respeito.

Helena observava tudo à distância.

Nunca tinha visto alguém despertar tanta admiração apenas ao entrar em um ambiente.

Naquele momento, compreendeu que Lorenzo não era apenas um homem rico.

Era um dos empresários mais influentes do país.

Antes que pudesse continuar observando, uma pequena figura atravessou o salão correndo.

— Helena!

Enzo.

O menino se lançou em seus braços sem se importar com os olhares dos convidados.

— Você veio!

Helena o abraçou.

— Eu prometi que viria.

— Achei que você tivesse desistido.

— Promessa é promessa.

Os convidados começaram a comentar discretamente.

— É a primeira vez que vejo Enzo tão feliz.

— Quem é essa jovem?

— O menino nunca se aproxima de estranhos.

Lorenzo assistia à cena do outro lado do salão.

Sem perceber, sorriu.

Miguel aproximou-se.

— Está vendo?

— O quê?

— Seu filho escolheu alguém.

E crianças raramente erram quando escolhem quem merece confiança.

Lorenzo permaneceu em silêncio.

Mas não conseguiu desviar os olhos de Helena.

No alto da escadaria...

Sabrina observava tudo.

Usava um sofisticado vestido vermelho que chamava a atenção de todos.

Ao seu lado, algumas socialites comentavam sobre a jovem recém-chegada.

— Ela é linda.

— Parece muito elegante.

— Quem será?

Sabrina sorriu.

— Uma moça que ajudou Enzo recentemente.

Nada mais.

Mas, por trás do sorriso impecável, seu coração queimava de ciúme.

Nem mesmo ela conseguia arrancar de Lorenzo aquele sorriso discreto.

Nem receber de Enzo um abraço tão espontâneo.

Naquele instante, decidiu que Helena jamais voltaria a ser o centro das atenções naquela casa.

Pouco antes de o jantar começar, Lorenzo aproximou-se de Helena.

— Espero que esteja gostando da noite.

Ela sorriu.

— Confesso que estou um pouco assustada.

Ele arqueou levemente a sobrancelha.

— Com tanta gente importante?

— Não.

Com a responsabilidade de estar aqui.

Lorenzo a observou por alguns segundos.

— Você pertence exatamente ao lugar onde sua honestidade e seu coração a levaram.

Não deixe que o dinheiro das pessoas faça você esquecer o seu próprio valor.

Helena sorriu.

Aquelas palavras diminuíram toda a sua insegurança.

Um garçom aproximou-se discretamente de Lorenzo e cochichou algo em seu ouvido.

O semblante do empresário mudou imediatamente.

Seu olhar tornou-se frio.

— Tem certeza?

— Sim, senhor.

Lorenzo pediu licença a Helena e seguiu rapidamente para o escritório.

Miguel percebeu a expressão do irmão e foi atrás dele.

Assim que a porta se fechou, o chefe da segurança falou em voz baixa:

— Senhor Castellani... acabamos de descobrir que alguém entrou em seu escritório particular durante a preparação do evento.

E um dos cofres foi aberto.

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