O médico saiu do quarto com a discrição de quem sabia demais para falar alto.
— Ela está fisicamente bem — disse, baixo. — Exaustão extrema, estresse acumulado, o corpo cobrando uma conta antiga. Precisa descansar. E… — hesitou um segundo. — Precisa se sentir segura.
Mateo assentiu uma única vez.
— Isso ela vai ter.
Quando a porta se fechou, ele ficou parado por alguns segundos, a mão ainda no trinco. Depois respirou fundo e entrou.
Ayla estava deitada de lado, coberta até a cintura, o rosto ainda pálido, mas os olhos atentos. Lia sentava na poltrona, braços cruzados, claramente de guarda.
— Vocês dois estão me olhando como se eu tivesse quebrado — Ayla murmurou.
— Não — Lia respondeu na hora. — A gente tá olhando como quem quase perdeu algo importante.
Mateo se aproximou devagar,
sentando-se na beira da cama.
— Como você está? — perguntou.
— Cansada de ser forte — ela respondeu, sincera demais para qualquer máscara.
Ele segurou a mão dela. Não disse nada por um instante.
— Então não