A manhã ainda mal tinha clareado quando Yuri parou diante da porta do escritório de Mateo.
Ele respirou fundo antes de bater. Não era medo comum — era aquele tipo de receio que só quem vive na máfia entende: quando qualquer escolha pode ser interpretada como traição.
— Entra — a voz de Mateo soou firme.
Yuri entrou, fechando a porta atrás de si.
— Preciso falar com o senhor — disse, direto. — É sobre o Otton.
Mateo ergueu o olhar no mesmo instante.
— O que ele fez agora?
Yuri hesitou por um segundo.
— Ele religou as câmeras do corredor da Ayla.
O maxilar de Mateo travou.
— Todas? — perguntou, já sabendo a resposta.
— A que fica na ponta… e a que pega direto a porta do quarto. — Yuri engoliu em seco. — Eu tentei argumentar, mas… o senhor sabe como ele fica.
Mateo se levantou devagar. Não havia pressa em seus movimentos — havia controle prestes a romper.
— Não é isso que me preocupa — disse Mateo. — Continue.
Yuri respirou fundo.
— Quando fui passar o relatório da segurança… ele não me