A madrugada avançou sem pressa.
O quarto estava silencioso demais para uma casa como aquela. O tipo de silêncio que não tranquiliza — apenas observa.
Virei de lado na cama, o porta-retratos ainda ao alcance da mão, e fechei os olhos tentando dormir.
Quase consegui.
Um leve clique metálico ecoou no corredor. Não era alarme. Nem passos apressados. Era alguém que conhecia a mansão bem demais para fazer barulho.
A batida veio logo depois.
Uma só.
Suspirei.
— Está aberto.
Otton entrou sem pedir permissão. Usava a camisa escura aberta no colarinho, mangas dobradas, postura relaxada demais para aquele horário. Seus olhos passaram pelo quarto inteiro antes de pararem em mim.
Se fosse no começo, estaria babando como antigamente. Hoje em dia prefiro que babem por mim.
— Vejo que Mateo continua cuidando bem de você — comentou, neutro demais.
Sentei na cama.
— Ele trouxe comida. Nada criminoso nisso.
Otton se aproximou da mesa, observando os restos da refeição.
— Na verdade, é exatamente assim q