A mansão sentiu Kaio antes mesmo de aceitá-lo.
O jantar daquela noite foi tenso demais para ser chamado de reunião, e organizado demais para ser acaso. Kaio ocupou uma das cabeceiras com naturalidade, como se nunca tivesse saído. Otton, à frente. Mateo, alguns lugares distante — perto demais de mim para passar despercebido.
Kaio falava com facilidade, rindo, provocando, perguntando coisas demais. Não escondia o olhar curioso. Nem quando recaía sobre mim.
— Dois anos fora e encontro um novo centro gravitacional — comentou, girando o copo entre os dedos. — Fascinante.
— Você fala demais — Otton respondeu, seco.
— Você sempre falou pouco — Kaio rebateu. — Por isso eu converso por nós dois.
Sorri de canto, sem entrar no jogo.
Mais tarde, quando a casa começou a silenciar, ouvi passos atrás de mim no corredor.
— Ayla.
Virei. Kaio.
— Posso? — perguntou, apontando para a sacada.
— Pode — respondi, curiosa.
Do lado de fora, a noite estava fresca. Ele apoiou os cotovelos no parapeito, relaxado