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CAPÍTULO 2 – A CASA QUE NÃO RESPIRA

Lia nunca tinha visto um carro tão silencioso. O motorista abriu a porta traseira como se ela fosse alguém importante, e Lia quase riu por dentro. Importante. Ela só estava tentando manter a vida de pé.

O trajeto até a mansão de Dominic Hale parecia outro mundo. As ruas comuns desapareceram, dando lugar a avenidas largas, jardins perfeitos, portões altos demais para enxergar através. Quando o carro entrou pela estrada privada, o ar até mudou. Era mais frio. Mais sério. Como se o lugar não gostasse de risos.

A mansão surgiu depois de uma curva: enorme, moderna, toda de vidro e aço. Elegante demais. Rica demais. Intimidante de um jeito que fazia o peito dela encolher só de olhar.

O motorista estacionou e desceu sem pressa.

— Senhorita Ramos, por aqui.

Ela seguiu tentando não demonstrar que as pernas estavam leves demais, quase trêmulas. A porta principal se abriu antes mesmo que eles chegassem. Um homem de terno cinza, postura rígida, olhou para ela de cima a baixo como quem avalia um objeto frágil.

— Boa tarde. Sou Charles, chefe da equipe doméstica. O senhor Hale está esperando.

Esperando.

A palavra caiu pesada. Lia enxugou discretamente as mãos na barra da blusa.

Atravessaram um corredor longo, silencioso e impecável. Tudo era organizado até demais, sem um único porta-retrato. Não havia cor, não havia vida. Era uma beleza vazia, como se alguém tivesse decorado para impressionar o mundo, não para morar.

— Aqui. — Charles abriu a porta de um escritório com janelas enormes e vista para o jardim.

Lia respirou fundo.

E então viu ele.

Dominic Hale estava de costas, olhando para a janela, a postura reta como uma estátua feita para intimidar. O terno escuro acentuava a força do corpo dele. O silêncio era tão profundo que Lia pensou se deveria anunciar sua presença.

— Senhorita Ramos? — ele disse sem virar, a voz baixa e exata, como se cada palavra tivesse lugar marcado.

— Sim… sou eu. — A voz dela saiu mais firme do que se sentia.

Ele se virou devagar, e por um momento, Lia esqueceu como respirar. Não era apenas bonito. Era um tipo de presença que ocupava o espaço inteiro. Olhos intensos, a expressão séria, a mandíbula marcada. Ele parecia alguém que nunca precisou repetir uma ordem.

Dominic analisou o currículo sobre a mesa, depois olhou para ela.

— Você tem experiência com crianças? —

— Sim. — Lia forçou o ar a voltar para os pulmões. — Trabalhei com famílias do bairro e estudei desenvolvimento infantil durante um semestre na faculdade.

Ele fez um leve movimento com a cabeça.

— Minha filha, Aria, tem três anos. Não fala com estranhos. — A pausa dele foi quase imperceptível. — Nem comigo, às vezes.

Essa ferida escondida passou pelos olhos dele como uma sombra rápida. Lia percebeu, mesmo se ele tentasse esconder.

— Eu… posso tentar me aproximar — ela disse, sincera. — Cada criança tem seu tempo.

Ele a observou como se testasse a verdade.

— O trabalho começa hoje — ele afirmou. — Se você aceitar.

Lia piscou.

Hoje. Sem aviso. Sem treinamento. Sem preparo emocional.

Mas ela precisava do emprego. Precisava respirar de novo. Precisava recomeçar.

— Eu aceito.

Por um instante, a expressão dele mudou. Algo quase imperceptível, como uma brecha na armadura. Talvez surpresa. Talvez alívio.

— Charles vai mostrar seu quarto e a rotina da casa — Dominic disse. — E depois quero ver como Aria reage a você.

Lia assentiu, tentando manter firmeza.

Quando ela virou para sair, ouviu a voz dele atrás.

— Senhorita Ramos?

Ela se virou.

— Sim?

Os olhos dele estavam nela, intensos demais para serem apenas formais.

— Aqui, todos seguem regras. Espero que você faça o mesmo.

Não era ameaça. Era aviso.

Mas Lia sentiu na pele que o homem à sua frente era um universo inteiro de fronteiras. E ela acabara de cruzar a primeira.

Charles a levou novamente pelos corredores, explicando normas, horários, e detalhes que ela tentava absorver rápido demais. Mas a mente de Lia ainda vibrava com o encontro.

Mais tarde, quando colocaram uma pequena mochila sobre o ombro dela e abriram a porta de um quarto infantil, Lia viu Aria pela primeira vez.

A menina estava no chão, cercada de blocos coloridos. Pequena. Delicada. Perdida no próprio mundo.

Lia se abaixou devagar, deixando a voz sair suave.

— Oi, Aria. Posso brincar com você?

A menina ergueu os olhos.

E algo aconteceu ali. Uma faísca. Um reconhecimento silencioso.

Aria empurrou um dos blocos na direção de Lia.

Charles prendeu a respiração.

— Ela… nunca fez isso com ninguém.

Lia sorriu para a menina. Aria respondeu com um micro movimento da cabeça, como um gesto tímido.

E em algum ponto da casa, Dominic Hale provavelmente sentiu isso.

A casa silenciosa acabara de ganhar um som novo.

A presença de Lia.

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