Ou você se livra dela agora, ou me esquece...
Diana
Eu acordei com a casa cheirando a café e pão na chapa, aquele aroma que sempre me devolvia ao colo da minha mãe, mesmo quando o coração insistia em bater torto. Dona Glória cantarolava baixinho na cozinha, e por um segundo eu quis fingir que nada doía, que eu podia estacionar ali nesse lugar simples onde as coisas são chamadas pelo nome e a gente tem licença pra chorar sem explicar. Mas eu não podia. Não depois do que eu dissera ao Ethan na noite anterior.
— Ou você se livra da Meredite agora, ou me esquece — eu repetira, firme, olhando direto nos olhos dele. — Denuncie. Exponha. Chame a polícia. Eu tô cansada.
Ele respirou fundo, como quem engole uma pedra.
— Falta pouco, Diana — ele murmurou. — Mais dois passos e a gente prende ela.
— Você já disse isso outras vezes — respondi. — Enquanto “falta pouco”, eu vivo com medo. Não dá.
O silêncio que veio depois foi denso, quase material. Ele caminhou até a porta, parou, voltou, tocou meu rosto com uma delicadeza que me quebrou por d