Isso não é mais problema meu.
Diana
Voltei para a cidade com a mala pequena e um coração enorme tentando caber dentro do peito. O ônibus me deixou na rodoviária pouco depois do amanhecer; o ar tinha cheiro de asfalto molhado e café queimado, e eu pensei que era perfeito começar de novo com algo tão comum. Peguei um táxi, dei o endereço de um flat que eu tinha visto pela internet — nada luxuoso, mas limpo, com luz boa, perto do metrô e de um mercado 24 horas. “Contrato mensal, sem burocracia”, prometia o anúncio. Cumpriu.
O apartamento tinha um quarto com janela larga, uma sala que cabia um sofá-cama e uma mesa de dois lugares, cozinha com fogão elétrico e uma geladeira que fazia um barulhinho de abelha quando ligava o motor. Abri a mala, dobrei as roupas com disciplina de quem precisa dominar alguma coisa pra não desabar, comprei o básico no mercado — arroz, ovos, talheres, um vaso de manjericão que me encarava verde — e sentei no chão da sala vazia. “Você consegue”, eu disse pra mim mesma, e, pela primeira vez em