Meredite
Eu acordei antes do sol, como sempre. A casa estava silenciosa, grande demais para qualquer coisa além do meu humor. O mármore frio do corredor devolvia meus passos em ecos elegantes, e a vista do jardim — perfeitamente podado, simétrico, obediente — costumava me acalmar. Hoje, não. Hoje havia um zumbido insistente na minha cabeça, o tipo de ruído que avisa que alguma coisa escapou por entre os dedos.
Desci ao escritório, acendi a luminária de latão e abri o notebook. Três janelas, quatro sistemas, uma rede de informantes muito bem paga. O relatório da madrugada piscava: “Sem novidades sobre Ethan.” Uma segunda mensagem, mais curta ainda: “Diana fora de alcance.” Fiquei olhando para aquelas palavras como se fossem um erro de digitação. Pisquei devagar, como quem dá uma segunda chance à realidade. Nada mudou. Ninguém sabia onde ele estava. Ninguém sabia onde ela estava. Só o vazio.
Senti o primeiro fio de raiva subir pela espinha. Eu pagava para saber de tudo. Eu organizava a