Mundo de ficçãoIniciar sessão*Nota da autora: Gente, adiciona o livro na biblioteca. Adoro vocês!
——- POV JOSÉ EDUARDO Dois anos antes Eu não sabia por que a Júlia não me respondia. Já havíamos combinado de sair para jantar e seria o dia em que eu a pediria em noivado. Apesar de ter apenas 21 anos na época, não achava que era algo precipitado. A gente se amava. Ou melhor dizendo: eu a amava. — Mas eu já estou aqui, pô! Onde você está, Júlia? — falei ao telefone, desligando o carro. Eu já estava no estacionamento do restaurante. — Benzinho, deu um imprevisto aqui no escritório. Sabe o projeto daquela casa da famosa do TikTok de que te falei?… — Acho que lembro… O que foi? — respondi, tentando segurar minha ansiedade e impaciência. — Ela quis mudar tudo. Fiquei presa aqui. Vai se importar se a gente remarcar esse jantar? Meu estômago afundou. Senti as lágrimas querendo se formar nos cantos dos olhos, mas espremei as pálpebras e engoli a saliva espessa. Seria muito perturbador um homem do meu tamanho chorar por causa de mulher. Mesmo estando sozinho, seria constrangedor demais. Limpei a garganta antes de responder. — Não, tudo bem. Fica tranquila. Eu cancelo a reserva. Bom trabalho! — forcei um riso. — Ah, meu docinho. Você é o melhor namorado do mundo. — Beijos, Júlia. — Até, docinho. Eu já tinha desistido. Peguei a caixinha com o anel de noivado e a joguei com certa força dentro do porta-luvas. Dei ré no carro e peguei a via expressa. Havia uma saída que levava direto ao bairro onde ficava o escritório da Júlia. Pensei: E se eu fizer uma surpresa para ela? Após considerar todos os desfechos — inclusive o risco de incomodá-la —, cheguei à conclusão de que, sendo seu namorado, ela ficaria feliz. Se me amava, ela gostaria. Estacionei do outro lado da rua, em frente ao prédio. Estava ansioso, com as mãos geladas. Checava o relógio o tempo todo e balançava as pernas nervosamente. Até que finalmente a vi saindo pela porta giratória. Ela ria, olhando para trás, animada. Estava linda, como sempre. Olhei meu rosto no retrovisor e me senti satisfeito. Mas assim que pus a mão na maçaneta para abrir a porta, levei um novo soco no estômago — daqueles certeiros: Júlia estava, na verdade, sorrindo para um cara que vinha atrás dela. Ele a puxou e a beijou na boca, com muita vontade. Eu já tinha visto aquele cara antes. Júlia nos apresentou uma vez, num bar onde saímos com a galera do trabalho dela. Então era esse o motivo. Júlia não queria me ver porque tinha um compromisso mais importante. Senti minha alma sair do corpo. As lágrimas foram difíceis de conter. Não importava quanto eu espremesse as pálpebras: elas vinham como uma enxurrada. Pensei em mil coisas: descer do carro e bater no cara até ele perder a consciência. Bater nela. Engatar o carro e prensá-los contra a parede para vê-los esmagados, sangrando. Mas não fiz nada disso. Sequei os olhos, joguei a caixinha com o anel pela janela e parti de volta para casa. Arrasado, mas de cabeça erguida. A dignidade foi a última coisa que me restou. Nunca mais vi a Júlia desde aquele dia. Bloqueei-a de todas as redes sociais e dei ordens expressas para que não a deixassem entrar na fazenda. Desde então, me tornei frio, com o coração gelado, receoso de que alguma mulher pudesse me ferir novamente. Não. Eu definitivamente não deixaria a sobrinha do meu pai me manipular com aquele choro falso. Júlia me enganou uma vez, e isso foi suficiente para eu aprender. — Suas desculpas pelo bofetão que me deu estão aceitas, Catarina. Pode ir. — falei, cruzando os braços. — Você é um cara frio e sem sentimentos, José Eduardo! — ela gritou. — Devo agradecer o elogio? — Vá se ferrar! — Vá você, garota! Eu tô na minha casa! — Ah, é? Esta casa também é do meu tio, e ele me convidou para vir para cá! — Convidou porque é um besta! — avancei alguns passos, irritado. — Besta é você! — Fala assim comigo de novo, fala! — gritei, agora a centímetros dela. — Pois eu falo, seu amargo! Mal amado! — Repete! Vai! Repete, menina! Eu grunhia de raiva, sem me controlar. — Amargo! Mal. A. Ma. Do! Tá bom assim? — Dessforada! — rosnei. Sem pensar, puxei Catarina pelo braço e a empurrei contra a parede. Pressionei meu tronco contra o dela, encarando-a com raiva. Era como se eu visse Júlia ali, me desafiando, tentando me manipular. Minha vontade era esganá-la. — Me solta, seu imbecil! — ela gritou, se debatendo. — Só se pedir desculpas! — Não vou. Me solta!






