O sol tímido começou a invadir o quarto, lançando raios dourados pela cortina entreaberta. Eveline sentiu o calor suave na pele antes de abrir os olhos.A primeira coisa que notou foi o peso acolhedor do braço de Daniel envolvendo sua cintura, seus corpos encaixados com delicadeza, como peças de um quebra-cabeça feito sob medida.Daniel já estava acordado, mas permanecia imóvel, respirando o perfume adocicado dos cabelos dela, sentindo o calor de seu corpo junto ao dele.Um sorriso suave se formou nos lábios dele. Aquele era o tipo de felicidade que nem todo dinheiro ou sucesso poderiam comprar.Ele a beijou suavemente na nuca, sentindo-a se remexer levemente sob seu toque. Depois deslizou a mão até sua barriga alta, acariciando-a com ternura.— Bom dia, meus amores — sussurrou.Eveline virou-se devagar para encarar Daniel. O olhar dele era puro, sincero, cheio de uma esperança quase juvenil.Ele acariciou seu rosto com a ponta dos dedos e, com a voz rouca pela emoção contida, disse:
Eveline acordou devagar, sentindo o peso confortável de Gabriel em seu ventre, agora imenso e firme.Um sorriso tranquilo brotou em seus lábios. Estava nos últimos dias da gestação — e, embora a ansiedade a rondasse, havia também uma paz difícil de descrever.Depois de se arrumar com cuidado — optando por um vestido leve de algodão azul claro —, Eveline foi até os quartos de Lucas e Beatriz para ajudá-los a terminar de organizar as mochilas antes da escola.— Tia Eve! — Lucas exclamou, com um sorriso maroto. — Hoje tenho prova de matemática! Você acha que vou bem?Eveline se abaixou com dificuldade e arrumou a gola da camisa dele.— Tenho certeza de que vai ser o melhor da turma, campeão.Beatriz, com um vestido rodado cor-de-rosa, veio até ela segurando uma fita de cabelo.— Coloca pra mim? — pediu com aqueles olhos brilhantes de esperança.Eveline prendeu a fita nos cabelos dourados da menina, sorrindo com ternura. Cada pequeno gesto fazia seu coração aquecer.Depois de acompanhá-lo
A madrugada ainda cobria a cidade com seu véu silencioso quando Eveline acordou com uma dor diferente, profunda e ritmada no baixo-ventre. Não era como as contrações de treinamento que vinha sentindo — era real, intensa, e carregava consigo a promessa do encontro tão esperado.Ela levou a mão à barriga, acariciando a curva arredondada com ternura. Gabriel se mexeu levemente, como se também soubesse que havia chegado o momento.— Está na hora, meu amor — sussurrou com a voz embargada.Daniel, sempre atento, percebeu a movimentação e correu até o quarto. Vestido de maneira casual, mas com olhos treinados e coração ansioso, se aproximou dela num gesto instintivo de proteção.— As contrações começaram? — perguntou com calma, embora a preocupação transparecesse em sua voz.Eveline apenas assentiu, incapaz de responder enquanto outra onda de dor a atravessava.Com eficiência e carinho, Daniel a ajudou a vestir-se, pegou a bolsa de maternidade previamente arrumada e a conduziu ao carro. No c
Marcus estacionou o carro diante da clínica particular, os dedos crispados no volante. O dia estava nublado, como se o próprio céu compartilhasse do peso que carregava nos ombros.Ele não queria estar ali. Não queria encarar Sabrina, nem reviver a noite que mal conseguia lembrar. Mas sabia que precisava pôr um fim definitivo naquela história.Por Gabriel. Por Eveline. Por si mesmo.Respirou fundo, tentando acalmar o turbilhão dentro do peito, e saiu do carro.A recepcionista o conduziu até uma sala discreta. Sabrina já o aguardava, elegantemente vestida, com o sorriso cínico que ele tão bem conhecia.— Achei que ia desistir — provocou ela, cruzando as pernas com afetação.Marcus manteve a expressão fria.— Vim porque quero encerrar isso. De uma vez por todas.Ela ergueu uma sobrancelha, divertindo-se com a tensão dele.— Não tem nada para encerrar, Marcus. Estou grávida. Você vai ter que aceitar.Marcus respirou fundo, controlando o impulso de sair dali.— Quero um exame. Agora. Feito
A caneta escorregava entre os dedos finos de Eveline Rocha. O papel à sua frente tremia como se denunciasse o que ela não podia dizer em voz alta. Aquela não era uma assinatura de amor. Era um contrato de resgate. Resgate financeiro — não emocional.Sentada à mesa da sala de jantar, Eveline parecia pequena demais para a gravidade daquela decisão. A jovem de pele alva e cabelos negros como a noite encarava o documento com os olhos cor de mel marejados. Seu coração batia tão alto que podia jurar que os outros escutavam.Mas ninguém escutava nada naquela casa.Seu pai, Júlio Rocha, estava de pé ao lado da lareira, com os braços cruzados e a expressão fria como mármore. Desde que a fábrica da família — uma tradicional tecelagem herdada do avô de Eveline — começara a falir, ele já não a olhava como filha. Era uma moeda de troca, e nada mais.— Assine de uma vez, Eveline. Não temos o dia todo — disse ele com voz áspera, sem tirar os olhos do relógio de bolso que herdara como um troféu de te
Eveline observava, pela janela do carro, as vastas paisagens da fazenda, a estrada de terra, ainda um pouco empoeirada pela recente chuva, parecia não ter fim. O coração dela batia acelerado, mas ela tentava controlar as emoções. Era a primeira vez que estava indo para lá, e apesar de tudo, uma sensação de ansiedade misturada com curiosidade dominava seu corpo.Ela não sabia bem o que esperar. As palavras de seu pai, Júlio, ecoavam em sua mente: "Este casamento é sua salvação, Eveline. A nossa única chance." Ele e a madrasta, Claudia, tinham apostado tudo naquele matrimônio. Marcus Castelão não era apenas rico — ele era a última tábua de salvação para os negócios em ruínas da família Rocha. Eveline nunca pensou que um casamento, tão frio e imposto, pudesse ter algo de bom.Ela chegou à fazenda por volta do final da tarde, o céu tingido de laranja, como um aviso de que a noite estava prestes a cair. Quando o carro parou, não havia ninguém à porta esperando por ela, nada que lembrasse u
O jantar foi silencioso.Eveline sentou-se à mesa longa, comendo sob o olhar atento de Maria e os poucos funcionários que transitavam discretamente pela casa. Marcus não apareceu para comer com ela. A mesa, embora farta, parecia um palco vazio. Nada ali era acolhedor, e cada mordida parecia feita por obrigação.Depois do jantar, Maria levou-a de volta ao quarto. As malas já estavam no lugar, as roupas cuidadosamente organizadas no armário. A noite estava quente, e uma brisa morna entrava pela janela, balançando levemente as cortinas.Eveline trocou-se por uma camisola leve de seda vermelha, que Claudia fizera questão de colocar no fundo da mala. O tecido macio grudava em seu corpo como uma segunda pele, destacando sua silhueta. Ela hesitou em se olhar no espelho, mas o fez. Pela primeira vez, se viu com os olhos de um homem. Um homem como Marcus.Será que ele me deseja? Ou só me escolheu pelo ventre?Bateu à porta. Um toque firme. Ela se sobressaltou.Maria entrou.— O senhor Marcus e
O corpo de Eveline ainda tremia. A primeira vez deixara marcas que ela jamais esqueceria. Marcus, mesmo com seu jeito contido e palavras frias, havia sido intenso, dominador... e surpreendentemente carinhoso durante o ato. Mas, assim que seus corpos se separaram, a distância entre eles voltou a se instalar.Ela observava de lado, deitada nua entre os lençóis, o homem que agora se levantava da cama, recolocava a camisa e virava de costas.— Você pode ficar aqui. Amanhã, Maria irá te mostrar o resto da casa. — A voz dele voltou ao tom seco, formal. Quase impessoal.Eveline sentou-se lentamente, os cabelos caindo sobre os ombros nus, os seios ainda sensíveis. A frieza dele depois de tanta entrega era como um tapa.— É só isso? — a pergunta escapou de seus lábios sem que ela planejasse.Marcus virou-se devagar, os olhos verdes a examinando como se ponderasse cada palavra.— O que você esperava?Ela baixou os olhos, engolindo o gosto amargo do silêncio que se seguiu. Ele não disse mais nad