Giovanni Sorrentino
O sol da manhã entrou pela janela da sala de jantar, pintando listras douradas na mesa de mogno polido. O cheiro de café fresco e pão quente misturava-se com o aroma doce de compota de laranja. Era uma cena de paz doméstica tão profunda que quase doía. Depois da noite que tivemos, da verdade pesada que partilhávamos na intimidade do nosso quarto, esta normalidade era um bálsamo.
Sentado, observei Ciara. Ela estava de pé ao lado de Salvatore, ajudando-o a colocar açúcar no seu leite. O meu filho, com a sua inocência radiante, tagarelava animadamente sobre os seus brinquedos, completamente alheio às correntes subterrâneas que fluíam naquela sala.
— Papai, o cavalo novo vai correr mais que o do tio Francesco? — perguntou Salvatore, os olhos grandes e cheios de curiosidade.
— Claro que vai, piccolino, — respondi, um sorriso genuíno a nascer nos meus lábios. — Tudo que é seu sempre é melhor que do seu tio.
Ciara sorriu para ele, uma expressão tão cheia de amor que me ap