O gosto dos lábios dela ainda estava na minha boca.
Doce. Metálico. Sujo.
Clara saiu pela porta como quem dança sobre um cadáver — leve, solta, com aquele riso de criança que arranca asas de borboletas.
Eu não consegui me mover por alguns minutos. Só olhei para a porta fechada, tentando entender se aquilo tinha acontecido mesmo, ou se era mais uma ilusão.
Quando finalmente me levantei, o apartamento já cheirava à presença dela. O perfume. A loucura. A ameaça.
Tomei um banho frio. Troquei de ro