Diana e Henrique já não dividiam a mesma casa havia meses.
A separação não fora explosiva. Não houve gritos, portas batidas ou cenas finais dignas de plateia. Foi silenciosa, quase administrativa. Conversas longas, cansadas, cheias de tentativas de salvar algo que já não respirava sozinho.
O amor não tinha acabado de uma vez. Ele foi se diluindo. Primeiro no toque raro. Depois no diálogo prático. Por fim, na constatação mútua de que insistir era apenas prolongar uma ausência.
Diana foi quem saiu.
Levou consigo a rotina reorganizada, o filho em semanas alternadas, e a dignidade de quem entendeu que não precisava competir por afeto. Henrique ficou no apartamento grande demais, com móveis que sobravam e silêncios que ecoavam.
Eles se falavam. Eram civilizados. Cordiais. Adultos.
Mas não eram mais um casal.
Por isso, quando Diana percebeu a mudança em Henrique, não foi ciúmes que sentiu primeiro. Foi reconhecimento.
Ela o conhecia bem demais para não notar quando ele voltava a ocupar o pr