A distância entre o gramado e os degraus da varanda parecia ter encolhido sob o peso da atmosfera que Ambrósio Carter emanava. Juliette sentia as palmas das mãos suarem, um contraste bizarro com o frio cortante que soprava das montanhas de Morvath. Edward, segurando sua mão com uma delicadeza que agora lhe parecia quase irritante, a conduziu até o gigante grisalho. — Pai, esta é a Juliette. A mulher de quem eu tanto falei — Edward disse, a voz cheia de um orgulho juvenil. — Ju, este é meu pai, Ambrósio Carter. Juliette tentou abrir a boca para uma saudação polida, mas as palavras pareceram travar em sua garganta seca. De perto, Ambrósio era ainda mais devastador. O cheiro dele a atingiu como uma onda: não era perfume de frasco, era o cheiro de floresta depois da chuva, de couro aquecido e um almíscar animal que fazia seu instinto gritar. — É um prazer imenso conhecê-la, Juliette — Ambrósio disse. A voz dele era um barítono profundo que vibrou no peito dela, fazendo-a estremecer vis
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