Capítulo 4

O som do impacto do corpo de Juliette contra o assoalho de madeira pareceu ecoar pelo corredor silencioso da mansão Carter. A dor aguda em seu tornozelo foi instantânea, mas o pânico em seu peito era ainda maior.

— Droga... — ela sussurrou entre dentes,

apertando os olhos, sentindo-se a pessoa mais estúpida do mundo.

Ao abrir os olhos e tentar se recompor, o ar congelou em seus pulmões. Ambrósio não estava mais na porta do quarto; ele estava ali, agachado diante dela. A proximidade era paralisante. Ela conseguia sentir o calor que emanava daquele corpo, um calor que parecia incompatível com o clima gélido de Morvath. O rosto dele estava a poucos centímetros do dela, e Juliette pôde ver as nuances de azul em suas íris, que naquele momento pareciam mais

escuras, quase selvagens.

— Eu... eu estava apenas procurando o banheiro

— ela mentiu, a voz falhando miseravelmente. Juliette engoliu em seco, sentindo o suor frio brotar em sua nuca, enquanto o desejo que sentia por aquele homem a corroía por dentro como um ácido.

Ambrósio não se afastou. Em vez disso, um sorriso de canto, carregado de uma malícia magnética e experiente, surgiu em seus lábios. Ele a estudou como um lobo estuda uma presa que acaba de cair em sua armadilha.

— O banheiro fica na direção oposta, Juliette — ele disse, sua voz descendo para um tom perigosamente baixo e rouco. — Acho que você está querendo brincar com fogo. E deveria saber que, nesta casa, as chamas não perdoam. Tenha cuidado para não se queimar antes mesmo do jantar acabar.

Antes que ela pudesse processar o aviso, as mãos grandes e firmes de Ambrósio envolveram sua cintura. Com uma facilidade que demonstrava uma força descomunal, ele a levantou do chão. Juliette soltou um arquejo de surpresa, seus braços instintivamente buscando apoio nos ombros largos dele. Ele a pegou no colo, e o contato físico foi como um choque elétrico. O rosto de Juliette ferveu, atingindo um tom de vermelho que rivalizava com seus cabelos, enquanto o perfume de Ambrósio a embriagava completamente.

Enquanto a carregava de volta para o quarto, Ambrósio mantinha uma expressão imperturbável, mas sua mente trabalhava com a precisão de um Alfa. Ele sabia o que estava acontecendo. Ele conhecia o próprio filho melhor do que ninguém. Edward nunca sentira nada verdadeiro por Juliette; para o rapaz, ela era apenas uma peça em um tabuleiro. Edward tinha pressa em se casar, em construir uma fachada de homem de família apenas para vencer uma aposta antiga que fez com o pai, tentando provar que podia ser "estável". Edward buscava um troféu, mas Ambrósio... Ambrósio enxergava a alma — e a fome — da mulher em seus braços.

Ao entrar no quarto, ele a depositou sobre a colcha de seda da cama com uma delicadeza que contrastava com sua aura bruta. Ele buscou um kit de primeiros socorros em um armário embutido e sentou-se aos pés da cama.

— Vamos ver esse estrago — ele murmurou.

Ambrósio retirou a bota de Juliette e começou a massagear o tornozelo dela com uma pomada em gel.

No início, o toque era terapêutico, mas o clima mudou em segundos. Ele não era um santo, e a luxúria que emanava de Juliette era como um chamado para seus instintos. As mãos dele, calejadas e quentes, começaram a subir. A massagem no tornozelo tornou-se um carinho lento pela panturrilha. Juliette sentia o corpo se desmanchar; cada centímetro de sua pele parecia clamar pelo toque dele.

Quando a mão de Ambrósio deslizou para cima, ultrapassando o joelho e subindo pelas coxas, perdendo-se por baixo do tecido do vestido boho, Juliette esqueceu como se respirava. Ele subiu mais, os dedos roçando a pele macia da parte interna de suas coxas, chegando perigosamente próximo de sua virilha. O calor entre as pernas de Juliette era insuportável, uma pulsação desesperada. E então, no ápice da tensão, ele parou.

Ambrósio inclinou-se para frente, envolvendo a mandíbula de Juliette com uma das mãos, forçando-a a olhá-lo nos olhos. O domínio dele era absoluto.

— Você está trêmula, pequena Juliette — ele sussurrou contra os lábios dela, sem de fato beijá-la. — Está com medo do que você quer que eu faça com você?

— Eu... eu não deveria estar aqui — ela conseguiu dizer, embora seu corpo estivesse traindo cada palavra.

— Mas você está. E agora que sentiu o gosto do perigo, Edward nunca será o suficiente para apagar o incêndio que eu comecei em você.

O diálogo foi interrompido pelo som da porta da frente batendo e a voz de Edward ecoando pelo andar de baixo.

— Ju? Pai? Onde vocês estão?

O feitiço foi quebrado, mas não desfeito. Ambrósio soltou o rosto dela e levantou-se com a agilidade de um felino, limpando as mãos e fechando o kit de primeiros socorros como se estivesse apenas terminando uma tarefa comum.

— Seu namorado chegou — ele disse, com uma frieza que fez Juliette estremecer. — Vamos descer. Tente caminhar sem mancar, ou ele fará perguntas que você não vai querer responder.

Juliette se levantou, as pernas ainda bambas e o coração disparado. Ela ajeitou o vestido, tentando desesperadamente recuperar a máscara de inocência. Quando desceram as escadas, Edward estava no hall, guardando o celular no bolso, com aquele sorriso meigo e vazio que agora parecia tão insuficiente para ela.

— Desculpem a demora! Aquele cliente não parava de falar — disse Edward, aproximando-se e dando um beijo casto na testa de Juliette. — Está tudo bem por aqui?

Ambrósio parou atrás de Juliette, sua presença sombreando-a.

— Tudo perfeito, Edward — Ambrósio respondeu, sua voz voltando ao tom cordial de anfitrião, embora seus olhos ainda brilhassem com o segredo que acabara de compartilhar com ela.

— Sua namorada apenas teve uma pequena queda. Mas eu já cuidei dela.

Juliette sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao ouvir o duplo sentido na voz do sogro. Ela olhou para Edward e depois para Ambrósio, percebendo que, em menos de uma hora, sua lealdade havia sido estraçalhada e substituída por uma obsessão que a levaria direto para a boca do lobo.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App