Descobri que meu Sogro Gostosão, É um Alfa
Descobri que meu Sogro Gostosão, É um Alfa
Por: Julia Solidade
Capítulo 1

A placa de ferro batido na entrada da estrada estava tão enferrujada que o nome quase se perdia entre as trepadeiras mortas: Morvath. A cidadezinha, se é que se podia chamar aquele aglomerado de construções cinzentas de cidade, parecia ter sido esquecida pelo tempo e pelo sol. Ali, o céu não era azul; era uma tela infinita de um cinza opressivo, como se as nuvens estivessem carregadas não apenas de água, mas de segredos pesados. A população de 150 habitantes mal era vista nas ruas. Morvath era um sussurro frio entre montanhas, onde o cheiro de terra úmida e pinheiros velhos impregnava cada centímetro de pele.

Pelas janelas embaçadas de um robusto Impala 67, Juliette Williams observava a paisagem com uma mistura de ansiedade e fascínio. Ela era o ponto de cor naquele cenário monocromático. Seus longos cabelos ruivos cascateavam pelos ombros como chamas em meio à neblina, e seus olhos castanhos claros brilhavam com a inocência de quem busca um conto de fadas. Com a pele de porcelana e traços delicados que remetiam às musas de um quadro renascentista, Juliette parecia deslocada, uma flor delicada prestes a ser plantada em solo infértil.

Ela segurou o volante com força, sentindo a vibração do motor. Tinha deixado tudo para trás por Edward Carter. O romance virtual, alimentado por meses de chamadas noturnas e promessas sussurradas, finalmente ganharia corpo e voz.

Ao avistar uma construção de madeira escura com uma placa oscilante que dizia "Pousada Morvath", Juliette sentiu um alívio momentâneo. Estacionou o Impala, o som do motor ecoando alto demais nas ruas silenciosas, e desceu. O frio cortante de Morvath a abraçou imediatamente, fazendo-a estremecer. Ela pegou suas bagagens e entrou, ouvindo o ranger das tábuas do piso sob seus pés.

A recepção era mal iluminada. Atrás do balcão, uma mulher de meia-idade, com olhos que pareciam ler a alma, a observava.

— Boa tarde... — Juliette começou, sua voz soando suave e melódica. — Eu tenho uma reserva em nome de Juliette Williams.

A funcionária não sorriu de imediato. Ela deslizou um livro de registros antigo sobre o balcão.

— Williams... — a mulher repetiu com uma voz rouca. — Você está longe de casa, querida. O que traz uma jovem tão bonita a um lugar onde até o sol tem medo de aparecer?

— O amor, eu suponho — Juliette respondeu, sentindo as bochechas esquentarem. — Vim visitar os Carter.

O movimento da mão da funcionária parou por um segundo imperceptível antes de ela entregar uma chave pesada de metal.

— Os Carter. É claro. Fique com o quarto 12, no final do corredor. É o mais silencioso. Seja bem-vinda a Morvath, se é que se pode dar as boas-vindas a este lugar. Tente não sair depois que a neblina baixar.

O quarto cheirava a lavanda e mofo. Juliette jogou a mala sobre a colcha de retalhos e ligou a pequena televisão de tubo que ficava num canto, apenas para preencher o silêncio perturbador do ambiente. Enquanto abria as bagagens, separando seus vestidos e blusas de lã, a imagem granulada na TV focou no rosto de um jovem.

"...continuam as buscas por Matias Miller, de 24 anos. O rapaz desapareceu há três dias enquanto fazia uma trilha nos arredores da Floresta Norte. Este é o quarto desaparecimento registrado em menos de seis meses..."

Juliette parou com uma peça de roupa nas mãos. Seus olhos se fixaram nos cartazes de "Desaparecido" que ela vira colados nos postes da estrada. Eram muitos. Uma sensação de desconforto subiu por sua espinha, um instinto primordial dizendo que algo naquela cidade não estava certo. "Deve ser apenas a falta de luz solar", pensou ela, tentando se convencer. "Cidades pequenas têm seus perigos, mas Edward cuidará de mim."

Ela voltou a organizar suas coisas, tentando ignorar a voz do repórter, quando o vibrar de seu celular sobre a mesa de cabeceira a fez dar um pulinho. O visor iluminou o quarto escuro: Edward <3.

Com o coração disparado, ela abriu a mensagem:

"Oiii gatinha, que bom que chegou! Pode vir aqui amanhã de manhã? Já marquei com meu pai de você vir conhecer ele. Mal posso esperar para te ver finalmente."

Um sorriso bobo e apaixonado iluminou o rosto de Juliette. O medo dos desaparecimentos e a estranheza da recepcionista evaporaram em um segundo. Ela rapidamente digitou a resposta, os dedos trêmulos de empolgação:

"Claro gato, estarei aí amanhã cedo! Também não aguento mais de saudade. Mal posso esperar para conhecer o Sr. Carter."

Juliette soltou o celular contra o peito, sentindo as batidas descompassadas do próprio coração. Ela se deixou cair para trás, afundando no colchão que rangeu sob seu peso, e ficou ali, olhando para o teto de madeira escura da pousada. As sombras das árvores lá fora, agitadas pelo vento frio, dançavam sobre as vigas como dedos longos e fantasmagóricos, mas ela não tinha medo. Pelo menos, não um medo que pudesse compreender.

Sua mente, no entanto, era um turbilhão. Ela traçou mentalmente cada curva do rosto de Edward que conhecia pelas telas, tentando imaginar como seria o toque de suas mãos, o som real de sua risada. Mas, estranhamente, sua imaginação parecia esbarrar em uma névoa, a mesma névoa que devorava as ruas de Morvath. Ela pensou no "Sr. Carter". Como seria o pai do homem que ela amava? Edward falava dele com uma reverência que beirava o temor, descrevendo-o como um homem de poucas palavras, um pilar de força que mantinha a família unida desde a morte da mãe.

Juliette fechou os olhos, e o silêncio do quarto foi preenchido pelo som da chuva que começava a açoitar as vidraças. Era um som rítmico, quase como um rosnado baixo e constante vindo da floresta que circundava a cidade. Naquele estado, entre a ansiedade e o sono, ela tentou projetar a imagem de um sogro gentil, talvez um homem de cabelos grisalhos e sorriso acolhedor que a receberia com um bule de chá.

Ela não poderia estar mais enganada.

O que Juliette ainda não imaginária — é o que o destino guardava a sete chaves sob o solo úmido de Morvath — era que Ambrósio Carter não era apenas um patriarca ou o pai de seu namorado. Ele era uma força da natureza contida em pele humana, um segredo ancestral que pulsava com o ritmo da lua.

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