Capítulo 10 — O Hangar 3
A noite no Aeroporto Velho parecia mais densa que o asfalto. O vento trazia cheiro de querosene antigo e poeira de ferro, o tipo de ar que faz a garganta arranhar. O envelope ainda queimava no meu bolso: “Hangar 3, meia-noite.”
Três palavras que soavam como sentença.
Cheguei cedo demais. Estacionei longe, escondido entre contêineres abandonados, e observei. O Hangar 3 era uma estrutura cinzenta, velha, com portões metálicos semiabertos — boca de fera esperando o momento