Capítulo 54 — A Mulher Entre Mundos
O vento não soprava naquela noite.
O vento obedecia.
As velas nas paredes se curvavam para ela, como se fossem seres vivos inclinando a cabeça.
A escuridão parecia pulsar, não de medo, mas de reverência.
Helena — ou o nome ancestral que guardava nas entranhas da alma — atravessava o corredor como se o universo tivesse aberto caminho para ela.
Não havia mais castelo.
Não havia mais presente.
Não havia passado.
Havia apenas ela,
e o poder que carregava no corpo