André e Helena chegaram em casa. Ele ouvia em silêncio todas as queixas dela, assentindo no automático, como quem está presente apenas no corpo. Por dentro, porém, sua mente estava longe.
Se ainda restava alguma dúvida sobre os sentimentos que guardava por Letícia, ela havia sido definitivamente dissolvida naquela noite. Estar tão perto dela outra vez comprimiu seu coração de um jeito quase físico, despertando algo que ele acreditava ter esquecido — ou enterrado — havia muito tempo.
— Heim? — a voz de Helena cortou o ar. — André, você não está me ouvindo?
Ele piscou, como se fosse arrancado à força de um lugar distante.
— Oi?
Helena soltou uma risada curta, sem humor.
— Claro. Você não ouviu nada do que eu falei, ouviu?
— Ouvi, sim — respondeu rápido demais. Rápido o suficiente para soar falso.
Ela avançou um passo.
— Então me responde. Onde você estava depois de me jogar no sofá e simplesmente sumir? Você me deixou sozinha, André. Sozinha.
Ele desviou o olhar por um segundo